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Caminhos de Darwin

A Casa da Ciência da UFRJ recebeu nesta segunda-feira (25/01) a cientista ambiental Fer Elsdon-Baker, líder do projeto “Darwin Now” do British Council. A convidada contou que o objetivo de seu trabalho é resgatar a história de Darwin e mostrá-la ao mundo, superando conflitos religiosos. “Ainda precisamos evoluir a comunicação científica”, afirmou a cientista, “além de ver as provas, as pessoas precisam entender o contexto das descobertas”. O projeto já foi apresentado em mais de 100 países.

“Darwin Now” foi concebido em 2008 para comemorar os 150 anos da publicação do livro “A origem das espécies” e os 200 anos do aniversário do naturalista. Fer Esldon-Baker acredita que Darwin é uma figura internacional e, assim, deve ser conhecida por todos. “Darwin não é apenas um ícone britânico, ele fazia parte de uma comunidade internacional de naturalistas e recebeu muita influência externa”, explicou a cientista.

Segundo a líder do projeto, a questão da evolução ainda é discutida porque, além de estar em constante atualização, levanta conflitos religiosos e políticos. “Algumas pessoas acreditam ser impossível que a teoria da evolução possa coexistir com a existência de Deus”, contou Fer Esldon-Baker. A cientista também acredita que a imprensa ajuda a alimentar a polêmica, mantendo os dois polos em atrito.

De acordo com pesquisas realizadas pelo projeto, 56% da população do Egito não confia que há provas suficientes para a evolução. Fer Esldon-Baker acredita que esse negativismo está ligado à divulgação da falsa ideia de que o homem é descendente direto do macaco. “Muitas pessoas não gostam de pensar que viemos de outra espécie, preferem achar que temos essa forma desde sempre”, explicou. A Turquia também apresentou dificuldades na recepção da ideia. A cientista, porém, crê que questões políticas podem ter acarretado essa reação.

Nos Estados Unidos, por outro lado, os prós e contras estão em equilíbrio. Fer Esldon-Baker afirmou que o país tem uma corrente criacionista bem organizada e ativa, que vê a crise da ciência em seu dinamismo. Apesar das divergências, a maioria dos países foi favorável à coexistência da ciência com a religião.
 

A palestra foi um complemento do projeto “Caminhos de Darwin”, da própria Casa da Ciência e do Ministério da Ciência e Tecnologia, que tem como objetivo percorrer os locais por onde Charles Darwin passou em sua visita ao Rio de Janeiro em 1832.