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Entendendo a Úlcera Péptica

Úlcera é o nome genérico dado a quaisquer lesões superficiais em tecido cutâneo ou mucoso. A úlcera péptica se forma quando a causa dessa lesão deve-se ao ácido clorídrico (HCl), encontrado no estômago e que ajuda na digestão. Ela pode ocorrer no estômago, duodeno e esôfago.

Segundo a gastroenterologista Márcia Ferreira Pinto, médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a úlcera péptica é causada pelo aumento da produção de ácido clorídrico pelo estômago ou por defeito da proteção natural que o corpo produz para neutralizar o ácido. Essa diminuição da defesa pode ser causada, por exemplo, por uso de anti-inflamatórios. Também pode ser provocada, no caso da úlcera duodenal, pelo refluxo de ácido vindo do estômago.

Márcia Ferreira explica que os sintomas da úlcera são similares aos da gastrite e outras doenças desse tipo. “Geralmente o paciente vai apresentar dor epigástrica na boca do estômago. Essa dor costuma ser uma queimação e está associada à alimentação. Na úlcera do estômago é comum que o paciente sinta dor depois de comer. Na do duodeno, a dor costuma ser mais frequente quando se está em jejum.”

O diagnóstico da úlcera é feito através da endoscopia digestiva alta. Como os sintomas são similares aos da gastrite e das úlceras malignas, recomenda-se que sempre seja feita a biópsia para confirmar o diagnóstico.

A médica explica que o tratamento é feito com medicamentos que interrompem a produção de ácido no estômago e costuma durar de duas a quatro semanas, dependendo do remédio utilizado. Caso a úlcera seja causada pela bactéria chamada Helicobacter pylori, é necessário que, além dos inibidores da produção de ácido clorídrico, sejam também ministrados anti-inflamatórios. Atualmente a úlcera só é tratada de forma cirúrgica quando ocorre perfuração, o que torna urgente esse tipo de intervenção.

Como a úlcera péptica é causada, em geral, pelo aumento de ácido clorídrico, uma forma de prevenção eficaz é evitar situações que provoquem esse aumento, como o estresse, por exemplo. Evitar o uso em excesso de anti-inflamatórios também é importante. As pessoas nunca devem tomar esse tipo de remédio por períodos longos ou se automedicar, e quem possui histórico de úlcera e precisa dos anti-inflamatórios deve fazer uso de remédios que previnam o aumento de ácido. A dieta em si não ajuda tanto.

A doutora explica ainda que a dieta, ao contrário do que as pessoas pensam, está pouco associada ao desenvolvimento de úlceras, já que o ácido dos alimentos é mais fraco do que o do estômago. Ela ressalta que o importante é manter uma dieta equilibrada e sem exageros. Evitar ficar em jejum e comer a cada três horas seria o ideal para a saúde do estômago.