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Sustentabilidade em pauta

Para a professora do Instituto de Economia Dália Maimon, 2009 é “o ano-teste da sustentabilidade”.

Nesta terça, dia 27, aconteceu o dia do seminário "Vulnerabilidade e Adaptação Pública e Empresarial Frente às Questões Ambientais e Sociais Contemporâneas". O evento está sendo realizado pelo Fórum de Ciência e Cultura  da UFRJ realiza, até esta quarta, dia 28. O debate gira em torno de um modelo econômico de produção mais viável e sustentável.

Para a professora do Instituto de Economia Dália Maimon, os desafios produzidos pela recente crise econômica mundial podem ser impulsionadores de novas soluções para o problema. Segundo ela, o ano de 2009 é “o ano-teste da sustentabilidade”, em que ou a decisão pela mudança tomará a frente ou revelará o pouco preparo das empresas e dos governos para se lidar com tais desafios.

Maimon lembra ainda que a era globalizada em que vivemos hoje não apenas causou desnivelamentos ambientais e sociais: o atual modelo produtivo teria se mostrado ineficiente também em relação ao aspecto econômico, como comprovaria a crise econômica atual.

A necessidade de criação de “empregos verdes” foi também foco do seminário. O ecobusiness, apesar de ainda não ter alcançado a escala de importância estratégica necessária para reverter o processo de aquecimento e poluição do planeta, já é uma realidade e reflete na sensível evolução dos relatórios não-financeiros realizados pelas empresas, nos últimos anos. Através deles, as responsabilidades sociais e ambientais dos grupos corporativos para com a sociedade tornam-se mais fáceis de apurar.

A posição do vereador do Partido Verde do Rio de Janeiro Alfredo Syrkis é de que a participação de todos os países é fundamental, e não apenas os ricos, como estaria estabelecido no – hoje insuficiente – Protocolo de Kyoto.  Além disso, a seguinte questão deve ser feita: “Quanto custa para a humanidade desenvolver-se de maneira sustentável?”

Segundo dados recentes do Banco Mundial, o gasto pode variar, mas estabeleceria-se em torno US$ 475 bi ao ano.  Destes, US$ 80 bi estariam voltados apenas para os países em desenvolvimento. Syrkis lembra, entretanto, que muitos países-chave sequer aceitam discutir a questão, ou quando muito fazem propostas tímidas. São os casos dos EUA, da China e da Índia, por exemplo. Enquanto  os norte-americanos prometem, em 2020, congelar os índices de emissão de poluentes de acordo com os  padrões do ano de 2005, os dois gigantes orientais não aceitam nenhuma intervenção em seus modelos de produtividade.

A despeito dos gastos relevantes, os palestrantes do evento lembram que a discussão para novas propostas ambientais não se trata de uma rodada econômica. É, acima de tudo, uma mobilização em prol do futuro do planeta.