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Apresentação aborda relatos virtuais de assédio moral

 “Por assédio em um local de trabalho temos que entender toda conduta abusiva que se manifeste por comportamentos, palavras, atos, gestos ou escritos que possam trazer dano à personalidade, dignidade ou integridade de uma pessoa. Ou ainda pôr em perigo seu emprego e degradar o ambiente de trabalho”, disse Glauce Ramos Ayres Pessoa, aluna de Serviço Social, citando a autora Marie-France Hirigoyen, durante sua apresentação na Jornada de Iniciação Científica (JIC), nesta terça (6/10). O trabalho exibido é intitulado “Relatos Virtuais de Assédio Moral: Violência no Cotidiano do Trabalhador”.

Glauce ressaltou que um caso de assédio moral é caracterizado por manifestações repetidas. Se a conduta abusiva não ocorrer diversas vezes, trata-se de um dano moral. A partir dessas definições, o estudo averiguou casos relatados referentes aos hospitais da UFRJ. A pesquisa foi baseada na análise de emails enviados para o site www.iesc.ufrj.br/assediomoral. “Foram verificados 85 emails de 75 contatos. Somente foram estudados os que indicavam pedidos de informações e descrição dos casos de assédio”, informou ela.

Dentre os remetentes, 43 eram mulheres, 28 eram homens e 2 não se identificaram. A estudante observou que os textos analisados continham solicitações de ajuda, socorro e informações, além de denúncias apontando para a coletividade dos que se sentiam assediados. Segundo Glauce, as vítimas nem sempre sabem identificar que tipo de agressão sofreram em seu ambiente de trabalho. Muitas vezes não apresentam certeza quanto ao fato de terem passado por assédio moral.

Como conclusão, os e-mails recebidos apontaram para o site como uma importante referência acadêmica e um instrumento de acolhimento. Ficou constatada também a possibilidade de surgimento de sintomas relacionados a doenças psicossomáticas provocadas pelo assédio moral no trabalho, fator que evidencia a gravidade destas situações.

“Ainda relatamos que a impotência diante da possibilidade de perder o emprego leva muitas pessoas a uma submissão a situações de assédio. Verificamos uma falta de conhecimento do tema e necessidade dos trabalhadores de saberem sobre seus direitos”, aponta Glauce. De acordo com ela, as propostas futuras do trabalho incluem um aprofundamento do estudo dos emails na parte que tange a saúde do trabalhador. Glauce também prevê a construção de um artigo. A pesquisa foi orientada pela professora Marisa Palácios.