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Seminário discute conjuntura econômica brasileira

Samuel Pessoa, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ) e do Instituto Brasileiro de Economia, aponta a poupança doméstica baixa como um dos principais desafios a ser superado pelo governo.

O volume baixo de investimento na poupança doméstica é um dos principais problemas estruturais da economia brasileira. A avaliação é de Samuel Pessoa, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ) e do Instituto Brasileiro de Economia, que participou na tarde de terça-feira, dia 18, do seminário de pesquisa Conjuntura econômica brasileira, organizado pelo Instituto de Economia (IE) da UFRJ. O encontro atraiu a atenção de alunos, professores e pesquisadores na sala 102 do IE/UFRJ, no campus da Praia Vermelha. Samuel Pessoa abordou ainda alguns aspectos da recente crise financeira internacional.

Segundo o professor, o país tem uma economia nova com uma poupança doméstica muito baixa, que não acompanhou o aumento da taxa de investimento nos últimos anos. De 2005 até o terceiro trimestre de 2008, ele afirma que a taxa de investimento subiu de 15% para 20% enquanto a poupança doméstica oscilou de 16% para 17% do Produto Interno Bruto (PIB) no período. A estrutura previdenciária do país, de acordo com o pesquisador, pode ser apontada como um dos fatores para o problema.

Samuel Pessoa afirma que integrava o grupo de economistas que acreditavam que a principal razão que restringia o crescimento do país estava associada à baixa produtividade. Para combater essa deficiência seria necessário estabelecer um pacote de reformas, atingindo sobretudo a questão tributária. Atualmente, no entanto, aponta a poupança doméstica baixa como um dos principais desafios a ser superado pelo governo.

O professor da FGV/RJ acredita que o país tende a voltar aos mesmos indicadores de crescimento verificados no período que antecedeu à quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, quando estourou a crise financeira internacional. Segundo ele, os países emergentes estão sendo beneficiados pelo desempenho da China, que permanece com altas taxas de desenvolvimento apesar da crise. “Outros países pararam de crescer. A China não. Os chineses têm muito capital, poupança, força de trabalho e estudo. Não conheço país que não cresça apresentando essas características”, afirma Samuel.