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Professores da ECO comentam fim da exigência do diploma para jornalistas

Professores da ECO comentam o fim da exigência para o exercício da profissão

A notícia do fim da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista ganhou repercussão na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO). A decisão foi tomada nessa quarta (dia 17/06) pelos ministros do Supremo Tribunal Federal em votação por oito votos a um. Os magistrados consideraram a obrigatoriedade incompatível com o direito de liberdade de expressão garantido pela Constituição Federal.

Ivana Bentes, diretora da ECO, aplaudiu o veredicto. “Vejo com bons olhos. É algo positivo, pois tira da invisibilidade os jovens e ‘midialivristas’ que, com o advento das novas tecnologias, podem produzir suas próprias informações”, opinou. Ainda segundo ela, “devem surgir novas formas de associações de classe que representem os profissionais, pois vejo os atuais sindicatos como entidades retrógradas”, avaliou. Ivana acredita que só o tempo dirá se a procura pelo curso vai diminuir. “Vamos esperar para ver. Caberá às empresas de comunicação exigir qualidade dos profissionais”, afirmou.

Já a professora Cristina Rego Monteiro, coordenadora do Ciclo Básico do curso, disse lamentar “profundamente” a decisão. “Acho que mesmo as pessoas que têm um posicionamento bem-intencionado vão perceber com o tempo que haverá um retrocesso no exercício da profissão. É fundamental que as pessoas tenham voz, mas não acredito que isso vá solucionar o problema do acesso”, disse. Ela defendeu os jornalistas como pessoas “credenciadas pela credibilidade. São profissionais que têm valor pela própria palavra. Isso não tem preço”, acrescentou a docente, para quem “a própria sociedade vai tratar de reconstruir o diploma”, concluiu.

Apesar da decisão tomada na mais alta instância do Poder Judiciário do país, o fim da obrigatoriedade pode não ser definitivo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, sugeriu a criação de um projeto de lei pelo Congresso Federal que restaure a exigência do diploma para o exercício da profissão. "Fiquei muito triste com isso, porque sou um defensor do diploma de jornalista. Sou jornalista não-diplomado, porém, com vários cursos de jornalismo. Comecei minha carreira aos 16 anos. Sinto que é muito importante ter uma formação acadêmica para desempenhar uma profissão tão importante", afirmou em entrevista à Folha Online.