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Oficina Temática debate Política Residencial

Dez mil vagas para moradias universitárias, sendo 30% desse total destinados a moradias sociais e 50% com subsídio parcial. Essas foram algumas das propostas apresentadas na I Oficina Temática do Plano Diretor, no encontro realizado, nesta quarta, dia 10, no Salão Azul do prédio da Reitoria, na Cidade Universitária.

Dez mil vagas para moradias universitárias, sendo 30% desse total destinados a moradias sociais e 50% com subsídio parcial. Essas foram algumas das propostas apresentadas na I Oficina Temática do Plano Diretor, no encontro realizado, nesta quarta, dia 10, no Salão Azul do prédio da Reitoria, na Cidade Universitária. Estiveram presentes integrantes do Comitê Técnico do Plano Diretor UFRJ 2020 (CTPD), representantes da Divisão de Assitência Estudantil (DAE), Sindicato dos Trabalhadores da UFRJ (Sintufrj), estudantes residentes no alojamento universitário, entre outros.

Pablo Benetti, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e presidente do CTPD, expôs os principais conceitos que norteiam a concepção das novas residências universitárias. “Os prédios residenciais estarão integrados aos chamados Centros de Convergência, espécie de bairros universitários que englobarão também restaurantes, bibliotecas, auditórios, serviços de comércio, espaços de esporte e lazer, entre outros. A ideia é estimular ainda o tráfego de pedestres, além da substituição gradual da circulação de veículos individuais pelo transporte ferro e hidroviário. Além disso, o adensamento promovido pelos centros de convergência tenderá a aumentar a segurança interna do campus”, explicou. 

De acordo com a Proposta Preliminar do Plano Diretor, apresentada no dia 9 de abril no Conselho Universitário, será prioridade entre os investimentos já autorizados a alocação de cerca de R$ 15 milhões para a edificação de moradias para aproximadamente 520 vagas destinadas à assistência estudantil. Os primeiros prédios deverão ser construídos na área onde serão localizados os Centros de Convergência do CT/CCMN e da área de Humanidades, onde hoje está sediada a Faculdade de Letras. As unidades residenciais terão dois, três ou quatro quartos, além de sala, cozinha e banheiro. 

Segundo Frederico Leão Rocha,  professor do Instituto de Economia (IE),  integrante do CTPD, o objetivo é criar unidades em que os moradores sejam responsabilizados individualmente pelos gastos domésticos. Já as áreas comuns e os equipamentos de capital fixo (geladeiras, fogões, colchões etc.) serão financiados através de uma bolsa-moradia a partir de aportes da universidade. Segundo Rocha, deverá ser criado um órgão gestor a ser administrado em parceria entre a UFRJ e o Ministério da Educação. Já a manutenção (segurança, limpeza, conservação etc.) deverá ser feita por meio da contratação de serviços terceirizados.

Alojamento atual

Rosélia Magalhães, representante do DAE, demonstrou otimismo com a nova proposta diante do quadro de dificuldade enfrentado atualmente pelos cerca de 500 alunos alojados e os dois mil bolsistas que fazem uso da política de assistência estudantil. “Com o Novo Enem, teremos muitos novos estudantes de outros estados vindo morar aqui. Hoje, temos uma estrutura que não é suficiente para atender à atual demanda. Para o próximo semestre, já temos 260 pedidos de alojamentos para menos de 60 vagas. Precisamos de pelo menos o dobro de vagas”, avaliou a servidora, acrescentando ainda que a Divisão sofre com uma carência de funcionários para atender a todas as demandas. “Temos 14 funcionários trabalhando, graças ao concurso realizado em 2008, mas ainda é muito insuficiente”, argumentou.

Em contraste com o panorama vislumbrado pela política residencial, Jefferson Salazar, dirigente do Sintufrj, lembrou o abandono dos moradores da Vila Residencial. “O que temos de mais parecido com uma cidade hoje no Fundão é a Vila Residencial. Eu gostaria que ela tivesse um lugar diferente do que tem atualmente na universidade. Existem algumas ações isoladas que acontecem por lá, mas são mais parecidas com um laboratório acadêmico do que com um política residencial”, destacou.

Salazar também elogiou a proposta de criar moradias oferecidas através de locações sociais. “Me preocupa a ideia que algumas pessoas têm de que a locação é uma forma de privatizar o espaço público da universidade. Não são apenas os alunos carentes que têm o direito de morar na Cidade Universitária. Estudantes ricos e de classe média também terão. Só que eles custearão as moradias sociais através de seus aluguéis. A isso eu chamo de locação solidária”, defendeu.

Os representantes do alojamento também se manifestaram. Leomir Dornellas, estudante de Psicologia e membro da Comissão de Gestão do Alojamento, falou sobre as precárias condições de moradia em que vivem os atuais moradores. “A maioria dos estudantes tem muitas dificuldades financeiras. Tem gente que não pode comprar colchão para dormir, cadeira e mesa para estudar. Assim, não dá para garantir a permanência desse aluno na universidade. Não temos um espaço para realizar seminários, apresentações artísticas, festas. O café da manhã oferecido muitas vezes é de má qualidade. Já houve até uma infestação por cupim. Além disso, há outras 500 pessoas morando no alojamento, além das 504 vagas oficiais”, constatou. 

Maria Elizabeth, estudante de Serviço Social, moradora do alojamento, também deu o seu depoimento. “Eu sou do Sul e não teria condições de morar aqui se não fosse a assistência estudantil. Meu quarto não tinha janela quando eu cheguei. Nosso acesso à saúde e às bibliotecas da universidade é dificultado. Muitas vezes, perdemos a vaga porque o desempenho não é bom, mas o desempenho não é bom por falta de condições adequadas de estudo”, declarou.

II Oficina

A II Oficina acontecerá na próxima quarta, dia 17, às 10h, no Salão Nobre da Decania do Centro de Tecnologia (CT). O tema será “Cidade Universitária, Cidade Responsável em Energia e Meio Ambiente”.