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Reitor da Uerj propõe vestibular unificado no RJ

Em artigo publicado em O Globo de hoje, 29 de maio, Ricardo Vieiralves, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), propõe aos seus colegas reitores de instituições públicas de Ensino Superior do estado a realização do vestibular unificado a partir de 2011.
Em artigo publicado em O Globo de hoje, 29 de maio, Ricardo Vieiralves, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), propõe aos seus colegas reitores de instituições públicas de Ensino Superior do estado a realização do vestibular unificado a partir de 2011.

Para Vieiralves, a “maratona de provas a que submetemos os estudantes de Ensino Médio para o ingresso em nossas instituições é antipedagógica e produz resultados mais negativos do que esperávamos em nossa boa intenção de promover vestibulares por instituição”, além de impor uma vivência prolongada de estresse “que imperativamente interfere no desempenho dos estudantes”.

Por fim, o reitor da Uerj propõe a instalação imediata de um consórcio “que organize, prepare e aplique” o vestibular unificado. Leia adiante, na íntegra, o artigo de Ricardo Vieiralves:

É hora do vestibular unificado

Ricardo Vieiralves*

Provocado pelo debate sobre a proposta do Ministério da Educação (MEC) de um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) proponho publicamente aos reitores das universidades e instituições públicas de ensino superior instaladas no Estado do Rio de Janeiro a realização de um vestibular unificado para o ingresso em nossas instituições. O reitor Aloísio Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concorda com a minha posição e o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, também é entusiasta da ideia.

A maratona de provas a que submetemos os estudantes de ensino médio para o ingresso em nossas instituições é antipedagógica e produz resultados mais negativos do que esperávamos em nossa boa intenção de promover vestibulares por instituição.

Impomos uma vivência de estresse prolongada que imperativamente interfere sobre o desempenho dos estudantes. As provas começam no ano anterior e arrastam-se até o final do mês de janeiro do ano em que ingressam na instituição.

Se o estudante resolver fazer o vestibular para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Estado (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-Rio) terá que desembolsar R$ 417 de taxas de inscrição, o que é caro e injusto com os cidadãos de nosso estado.

O principal argumento utilizado no passado foi o de que precisávamos definir, a partir da prova de vestibular, um perfil de estudante que estivesse adequado à cultura e à especificidade da instituição.

Na realidade atual, o estudante que passa para a UFRJ é o mesmo aprovado na Uerj e nas outras instituições de ensino. Isto nos causa problemas na matricula, impondo-nos sucessivas reclassificações para não ficarmos com vagas ociosas e, mesmo assim, ainda começamos o ano letivo com alguns cursos sem todas as vagas preenchidas, o que considero muito grave.

Estamos também estimulando a omissão das escolas de ensino médio em relação à orientação vocacional. Como os estudantes não se sentem obrigados a fazer a escolha profissional no ato de inscrição no vestibular, é muito comum inscreverem-se em várias carreiras. As escolas abdicaram da informação, do apoio e do bom aconselhamento para a decisão profissional, muito importantes para a vida de qualquer pessoa.

Muitas vezes observei estudantes que iam fazer vestibular com as seguintes escolhas: Física na UFRJ, Medicina na Uerj e Teatro na Unirio ou qualquer combinação desta espécie. Na Uerj, realizamos no passado uma pesquisa sobre o que motivava a evasão e encontramos em primeiro lugar a escolha errada da profissão. Estamos alimentando ociosidade do sistema, a frustração de jovens e a omissão das escolas de ensino médio.

É necessário que os governos apoiem esse projeto de unificação do vestibular. Como nossos orçamentos são insuficientes, os recursos auferidos com a cobrança de taxas nos servem para investimentos nas áreas fins de nossa Instituição.

Na Uerj, por exemplo, estamos montando salas de aula com tecnologias educacionais de ponta e adquirindo micro-ônibus para os trabalhos de campo. Os governos devem fazer sua parte e compensar nossas instituições com recursos para investimento na atividade-fim.

Convido nossas coirmãs públicas, por meio de seus reitores, a instalarmos imediatamente um consórcio que organize prepare e aplique um vestibular unificado a partir de 2011, conferindo tempo às escolas de ensino médio para se prepararem para esta nova situação e realizando com prudência uma mudança de tal vulto.

É preciso interromper este ciclo, pois não estamos exercendo muito bem nosso dever de educadores.

*Ricardo Vieiralves é reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).