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UFRJ estuda ampliação do transporte gratuito para 2009

A Prefeitura Universitária e a Pró-reitoria de Graduação estão estudando a ampliação do transporte público gratuito para os alunos da UFRJ tendo em vista a expansão das vagas nos cursos da universidade, prevista já para o próximo semestre.

A Prefeitura Universitária e a Pró-reitoria de Graduação estão estudando a ampliação do transporte público gratuito para os alunos da UFRJ tendo em vista a expansão das vagas nos cursos da universidade, prevista já para o próximo semestre. O planejamento visa reforçar as linhas que fazem a ligação entre a Cidade Universitária, Praia Vermelha e o Centro da cidade.

Segundo Hélio de Mattos Alves, prefeito da Cidade Universitária, algumas demandas de caráter mais localizado já foram identificadas, dentre elas a necessidade de contemplar no projeto os alunos residentes no Alojamento Estudantil, especialmente os matriculados em licenciaturas, que costumam freqüentar aulas em mais de um campus. “Atenderemos também demandas localizadas como o aumento da freqüência entre 6h e 7h30 para beneficiar quem estuda no Centro de Tecnologia (CT) e no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), já que as aulas começarão às 7h30 no próximo semestre”, afirma o prefeito.

Segundo dados da Prefeitura Universitária, circulam diariamente na Cidade Universitária cerca de 65 mil pessoas, entre estudantes, professores, funcionários, prestadores de serviço, moradores e visitantes. Desse total, mais de 70% utilizam o sistema de transporte público municipal e intermunicipal.

A UFRJ disponibiliza sete linhas internas para o transporte gratuito. Duas são circulares e fazem o trajeto Vila Residencial–Alojamento e Linha Vermelha–Reitoria. Os alunos e funcionários que precisam se deslocar para outras unidades da universidade também contam com ônibus entre a Cidade Universitária e a Praia Vermelha. As outras linhas fazem a ligação da Cidade Universitária com a Praça XV, Bonsucesso e Norte Shopping, facilitando o acesso ou saída dos alunos dos cursos noturnos. No período da manhã, há também uma ligação diária entre a Escola Bahia, na avenida Brasil, e a Cidade Universitária.

De acordo com Mattos, a UFRJ investe anualmente R$ 4,5 milhões em transporte interno. O contrato com a empresa que opera o serviço foi feito após realização de licitação pública. “O campus da Cidade Universitária possui, durante 24 horas, transporte para aqueles que se deslocam internamente”, afirma o prefeito, reconhecendo, no entanto, deficiências no sistema de transporte municipal. As dificuldades decorrem da própria dimensão territorial do campus: uma área de 4.650 mil m², equivalente aos bairros de Ipanema e Leblon juntos.

“Na realidade, temos pouca oferta de transporte público na Cidade Universitária. O serviço de ônibus é oferecido por linhas internas gratuitas contratadas pela UFRJ, por linhas externas fiscalizadas pelo município do Rio de Janeiro que circulam no campus e outras linhas externas que tangenciam a Cidade Universitária e que precisam de integração com as linhas internas. O serviço de ônibus municipal de maneira geral fica prejudicado pelo tamanho do percurso necessário para atender aos usuários”, explica o prefeito.

Maglev

Algumas alternativas estão sendo discutidas pelo comitê técnico do Plano Diretor 2020, dentre elas a utilização do trem por levitação magnética, o Maglev. “A ligação interna através do trem é uma alternativa, assim como a criação de ciclovia em todo o campus, o ramal ferroviário ligará a estação de Bonsucesso à Ilha do Governador com uma estação na Cidade Universitária. São várias alternativas sendo estudadas e negociadas entre a Reitoria da UFRJ e as autoridades municipais e estaduais”, afirma Mattos.

De acordo com o professor Eduardo Gonçalves David, pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE), nos próximos anos o sistema rodoviário da Universidade deve ser substituído pelo trem de levitação magnética, desenvolvido pelo Laboratório de Aplicações de Supercondutores (LASUP) e pelo Laboratório de Estudos e Simulações de Sistemas Metroferroviários (LESFER).

O projeto já recebeu apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e, segundo David, há possibilidade de as obras serem iniciadas em 2009, com previsão de funcionamento para 2010.

A primeira etapa de implantação responde pela construção de um novo terminal próximo ao Hospital Universitário e pela instalação de estações nos principais pontos da Cidade Universitária, percorrendo um total de 4.300 metros. “O Maglev deve sair do terminal e percorrer a cidade com estações de parada no novo restaurante universitário, prefeitura, Cenpes, Centro de Tecnologia, seguindo pela Faculdade de Letras, Reitoria e terminando na Vila Residencial, com funcionamento nos mesmos horários dos ônibus atualmente”, informa David.

O trem promete trazer diversas vantagens para a UFRJ, tais como baixo consumo de energia com aproveitamento de energia solar para abastecimento, redução da poluição atmosférica, divulgação da tecnologia desenvolvida pela UFRJ e economia financeira proporcionada pela redução dos gastos com o transporte rodoviário. “De acordo com as nossas estimativas, dentro de sete ou oito anos o investimento feito nesse sistema será pago só pela economia que ele traz para universidade. Ele é 38 vezes mais econômico do que um automóvel“, explica o professor.

A implantação do sistema permitirá que empresas interessadas em adotar esse meio de transporte em outros lugares do Brasil ou do Rio tenham acesso a uma linha de teste que transportará mais de 10 mil alunos diariamente.

As fases posteriores do projeto envolvem uma linha que interligaria a cidade Universitária ao Centro, passando pela Linha Vermelha, e outra à Barra da Tijuca, passando pela Linha Amarela.

Para que o sistema possa ser implantado são necessários alguns investimentos, principalmente nos sistemas de energia e controle, veículo, gerenciamento e construção de terminais. “Para as estações estamos pensando em desenvolver um concurso entre os alunos para que eles as projetem. Serão nove em todo o campus e cada estação teria a assinatura de um grupo de alunos”, revela David.