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Nunca é tarde para aprender

Mesmo quem tem a agenda cheia durante o todo o dia têm direito ao ensino superior de qualidade. A UFRJ oferece dezenove cursos noturnos em diferentes áreas do conhecimento para aqueles que querem, sobretudo, estudar.

De segunda a sexta-feira, quando o relógio marca 18h30, Thiago Moreira sabe que está na hora de dar início a mais uma jornada de aprendizagem. Assim como o estudante do segundo período do curso de Licenciatura em Física, outros milhares de alunos compõem a parcela do corpo discente da UFRJ matriculada no turno noturno nas graduações em Ciências Biológicas (licenciatura), Educação Física (bacharelado), Física (licenciatura), Geografia (Bacharelado), Geografia (Licenciatura), Matemática (licenciatura), Química (licenciatura) e Dança — na Cidade Universitária —; Administração, Ciências Contábeis, Comunicação Social – Rádio e TV, Pedagogia, Serviço Social e Direção Teatral — no campus da Praia Vermelha —; e Direito e História — nos campi do Centro.

De acordo com levantamento realizado pela Pró-reitoria de Graduação (PR-1) da UFRJ, 4.879 estudantes cursaram regularmente alguma graduação em horário noturno no segundo semestre de 2007. À noite, em Macaé, são oferecidos ainda os cursos de Ciências Biológicas (licenciatura), Farmácia e Química (licenciatura).

Embora exista um perfil de aluno específico para cada curso, em geral a universidade recebe à noite os discentes que trabalham durante o dia. Belkis Valdman, pró-reitora da PR-1, acredita que a importância de a UFRJ oferecer Graduações nesse horário está na satisfação das expectativas dos vestibulandos que têm preferência pela realização de outras atividades no período diurno. “Atender a essas demandas é um interesse crescente da universidade. A idéia é criar mais cursos e planejar melhores estratégias de distribuição de docentes e servidores técnicos-administrativos para as graduações noturnas”, afirma.

Qualidade de ensino é a mesma de dia e de noite
“É muito prazeroso dar aulas nos cursos noturnos. Os alunos são muito batalhadores e esforçados”, declara Marta Barroso, professora do Instituto de Física (IF) da UFRJ. Segundo a docente, como grande parte dos estudantes trabalha durante o dia, muitos chegam cansados, o que implica uma pequena mudança na forma de lecionar, a fim de manter uma atmosfera mais favorável ao aprendizado. “O cansaço dos estudantes acaba se tornando uma dificuldade com a qual os professores têm que a aprender a lidar. Por isso, evitamos aulas excessivamente expositivas e passamos uma carga menor de exercícios”, esclarece. Tal preocupação é sentida pelos alunos, que se sentem acolhidos e amparados pelos professores. “A maioria dos estudantes do curso noturno são trabalhadores e de origem mais humilde. A maior vantagem do curso noturno é que ele dá chance a pessoas que tem que trabalhar para sobreviver de fazer um curso em nível superior”, acentua Thiago.

Apesar de bibliotecas e alguns laboratórios encerrarem o expediente antes do término das aulas, a professora garante que a infra-estrutura de ensino utilizada para os cursos é a mesma, tanto de manhã como de noite. Marta apenas reivindica uma empenho maior da universidade em relação à igualdade entre os cursos diurnos e os noturnos, no que diz respeito à realização de eventos que possam dar suporte ao aprendizado. “A maior parte das palestras e encontros acadêmicos acontece de manhã e de tarde. Isso acaba se tornando uma desvantagem para os estudantes dos cursos noturnos, que, justamente por trabalharem durante o dia, acabam não podendo participar dessas atividades. Por isso, a universidade deve brigar para que os cursos noturnos não adquiram clima de ‘escolão’, no qual o aluno apenas assiste aulas. No IF-UFRJ, estamos buscando promover alguns seminários ao final das tardes para contemplar também os alunos da licenciatura noturna”, acrescenta a professora.

Transporte, alimentação e segurança
De noite as aulas começam às 18h30 e terminam às 21h50. Segundo Thiago Moreira, o horário é rigorosamente cumprido. “Geralmente os professores não liberam os alunos mais cedo, pois as linhas de ônibus, na Cidade Universitária, funcionam até um pouco depois das 22h”, explica o estudante. Apesar dos rumores de que a Cidade Universitária é um local inseguro, quem freqüenta o campus à noite desmente a versão que circula na mídia. “No campus é bastante seguro. Alguns servidores da Divisão de Segurança (Diseg) circulam de carro e outros ficam parados em lugares estratégicos. Entretanto, muitos alunos que andam até à Avenida Brasil para pegar ônibus já foram assaltados no caminho. Por isso,  seria importante que a UFRJ pedisse à Polícia Militar o reforço do patrulhamento nas redondezas, principalmente nos horários de saída”, sugere o estudante, que também gostaria que a universidade disponibilizasse mais opções de locais de alimentação: “na hora da entrada, há até um número bastante significativo de estabelecimentos que oferecem lanche, mas o problema é na hora da saída, quando os trailers já fecharam. O ideal seria que existisse um lugar onde pudéssemos jantar”, opina.

Segundo Belkis Valdman, a UFRJ está trabalhando para proporcionar  melhores condições de infra-estrutura para os cursos noturnos. “A Prefeitura Universitária já divulgou o planejamento e a execução de melhorias nos sistemas de transporte e iluminação na Cidade Universitária. Além disso, há o projeto de implantação de um ponto de conexão de linhas de ônibus atrás do Hospital Universitário e a construção de uma estação de trem no Fundão pela Supervia, o que facilitará a locomoção de toda a comunidade acadêmica”, diz a pró-reitora.