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Um novo jeito de ver o Rio

“Fé na Paisagem” é a terceira exposição de Jussara Santos.  Na mostra, em exibição no Centro Cultural Horácio Macedo, das 11h às 16h, até o dia 29 deste mês, a pintora mostra o Rio de Janeiro sob um outro olhar.

 A beleza do Rio de Janeiro já foi cantada e retratada por diversos artistas, brasileiros ou não. De Tom Jobim, autor do famoso “Samba do avião”, a Jean Baptiste Debret, pintor e desenhista francês do século XIX que retratou o cotidiano da então capital do Império, muitos se renderam aos encantos da Cidade Maravilhosa e a tornaram o sujeito principal de algumas de suas obras. Jussara Santos não é exceção.

Natural de Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte, a pintora e produtora cultural tem no sangue o gosto pela arte: quase todos os irmãos estão envolvidos com alguma espécie de atividade artística; mas, curiosamente, o pontapé inicial para que ela se dedicasse de fato aos pincéis foi a necessidade de presentear um conhecido. "Eu precisava dar um presente e estava sem recursos, então fiz uma tela e as pessoas começaram a perguntar porque eu não pintava. Fui incentivada pelos olhares dos amigos”, contou.

Para Jussara, o Rio tem algo que atrai as pessoas que querem trabalhar com criação. Foi em parte isso que a trouxe para cá e a fez por aqui ficar. Os ângulos tradicionalmente mais retratados não foram os escolhidos por ela para estampar as telas. Nem mesmo as cores, uma vez que não há uma tela colorida sequer em toda a exposição. Em uma delas, por exemplo, têm-se uma vista do Cristo Redentor de costas. Noutra, o estádio do Maracanã é visto por um garoto do Morro da Mangueira. Assim, a artista procurou mostrar a cidade sob outro ponto de vista que não o mais comum. A técnica utilizada para tanto tem, segundo a artista, um quê impressionista e lembra o grafite, mas na verdade usa tinta acrílica preta e branca.

“Fé na Paisagem” é a terceira exposição da pintora. A primeira, em 1998, foi composta por pinturas que imitavam os desenhos rupestres e os egípcios na forma e na execução. Nesta foi usada também a papietagem, técnica na qual são sobrepostas a uma base diversas camadas de um tipo qualquer de folha embebidas em cola caseira, cujo resultado é uma estrutura bastante firme. As antigas máscaras de teatro eram feitas dessa forma. A segunda exposição, em 2005, feita em conjunto com os jovens do projeto social “Plantando o Futuro”, teve por tema a “Globalização e o humanismo”. Foram retratados, além da cultura popular, os extremos tecnológicos de nossa época, que é capaz de abrigar meios de transporte como avião, carro e carroça. O processo de elaboração das obras foi uma troca com os aprendizes: enquanto eles davam idéias, Jussara mostrava como se fazia um quadro.

O Centro Cultural Horácio Macedo, no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, na ilha da Cidade Universitária, abriga as telas das 11h às 16h até o dia 29 deste mês. O Roxinho, na verdade, é o segundo local a receber a exposição. Jussara, assim sem querer, já recebeu convite para expor em outro espaço cultural em Laranjeiras. Como ela mesma gosta de dizer, “uma coisa puxou a outra”.