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Cuidados com a saúde no inverno

Com o início oficial do inverno,  é comum vermos pessoas com gripe ou resfriado. Mas o que leva estas doenças a se multiplicarem com maior facilidade em épocas de temperaturas mais baixas?

O início oficial do inverno no hemisfério sul começou no dia 21 de junho. Esse período de temperaturas mais baixas leva as pessoas a se manterem por mais tempo em ambientes fechados, com baixa circulação de ar, o que facilita a proliferação de algumas doenças. Durante esta época, é comum vermos pessoas com tosse, coriza, ou até mesmo manifestações mais graves, como febre e cansaço. Mas o que leva estas doenças a se multiplicarem com maior facilidade no inverno?

– As doenças respiratórias mais comuns são as infecções agudas das vias aéreas superiores de origem viral. É muito difícil conseguir preveni-las, quando chegarmos a esta descoberta haverá um grande avanço na medicina -, afirma Ronaldo Nascente, médico pneumologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ). No mundo inteiro, tanto no hemisfério norte quanto no sul, as infecções deste gênero são as que mais freqüentemente levam pacientes a emergência dos hospitais. A maior convivência em ambientes fechados, nos meses mais frios, facilita a transmissão do vírus.

Gripes X resfriados
– Lamentavelmente, as infecções virais produzem o contágio no período em que a pessoa ainda está assintomática, ou seja, não apresenta os sintomas da doença -, explica o especialista. Nessas situações, a transmissão do vírus acontece pela respiração normal (mesmo sem tosse ou espirros), ou pelo aperto de mão. “Por isso é importante lavar, a todo momento, as mãos”, recomenda.

As doenças respiratórias que se encaixam nesta definição são o resfriado e a gripe. O primeiro é caracterizado pela coriza, nariz entupido, um pouco de irritação ocular, dor de garganta e um discreto mal estar. Já a gripe apresenta um quadro mais intenso, com febre, congestão nasal, coriza e uma dor muscular muito forte, que normalmente faz com que a pessoa tenha de ficar em repouso.

Os vírus que causam gripe e resfriado são diferentes. “Mais de cento e cinco vírus podem causar resfriados, e eles ainda assim sofrem mutações com o tempo. Por isso, durante a vida temos essa doença diversas vezes, pois não conseguimos desenvolver uma imunidade definitiva. A gripe é causada por vírus da família do influenza, que sofrem mutações genéticas a cada ano. Nos dois casos, as manifestações da doença acontecem repetidas vezes durante a vida, pois o organismo nunca terá anticorpos que combatam todas as diferentes mutações dos vírus”, esclarece Ronaldo. Enquanto as infecções virais da infância, como catapora, caxumba e rubéola, dificilmente se repetem, isto não acontece com os vírus destas doenças.

Vacina contra a gripe
Para a elaboração da vacina contra a gripe, faz-se uma coleta dos vírus existentes no hemisfério norte durante o inverno (de novembro a fevereiro), que são provavelmente aqueles que estarão no hemisfério sul na época do frio (junho a setembro). “Estes vírus migram com as aves e as pessoas. A vacina deve ser aplicada anualmente, devido á constante modificação dos vírus. Deve ficar claro que existe aí uma proteção contra a gripe, mas não contra os resfriados. Algumas pessoas, após tomar a vacina, podem apresentar tosse, coriza e achar que houve uma falha na proteção. Mas, na maioria das vezes, o que acontece é a infecção pelos vírus do resfriado. Não se pode confundir”, atesta o doutor.

Complicações e prevenção
– Em alguns casos apenas, a gripe pode evoluir para uma broncopneumonia, ou para um quadro neurológico de encefalite, que é a inflamação do tecido nervoso central pelo vírus -, explica Ronaldo. Esta doença pode causar dor de cabeça, coma, alteração do comportamento ou mesmo deixar alguma seqüela auditiva, visual. Estas complicações, no entanto, são raras.

As doenças virais normalmente não possuem um tratamento específico. A doença faz o seu ciclo no organismo e a pessoa se cura espontaneamente. “No caso do vírus influenza, a procura por assistência médica nas primeiras 48 horas das manifestações clínicas pode minimizar os sintomas da gripe e encurtar em 50% o tempo de duração da doença”, afirma o doutor.

Em relação ao uso de cápsulas ou comprimidos efervescentes de vitamina C para combater estas doenças, o professor alerta: “Os benefícios da vitamina C na proteção do organismo contra resfriados ou gripe são uma lenda. Não existe nenhum trabalho científico que comprove sua eficiência, seja na diminuição dos sintomas, seja no encurtamento das gripes e resfriados”, finaliza.