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Estudantes respondem a manifesto do CCMN

Três dos cinco integrantes da representação estudantil no Conselho Universitário divulgaram, na sessão de hoje – 26/06/2008 – do colegiado, um documento de resposta à “Manifestação do Conselho de Coordenação do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza à comunidade da UFRJ”.

Três dos cinco integrantes da representação estudantil no Conselho Universitário divulgaram, na sessão de hoje – 26/06/2008 – do colegiado, um documento de resposta à “Manifestação do Conselho de Coordenação do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza à comunidade da UFRJ”. Como foi informado pela Coordenadoria de Comunicação da UFRJ, o CCMN tornou público no último dia 19 um documento de repúdio “às práticas que buscam inviabilizar as reuniões do Conselho Universitário”. O documento em resposta foi lido pela conselheira estudantil Carolina Barreto, que subscreve o texto com os conselheiros Gabriel Marques e Rafael Nunes.        

Abaixo, a íntegra do documento:

Resposta da representação do DCE Mário Prata no CONSUNI a documento intitulado

Manifestação do Conselho de Coordenação do CCMN à comunidade da UFRJ”- Subscrito pelos conselheiros estudantis Carolina Barreto, Rafael Nunes e Gabriel Marques

Recentemente, recebemos por e-mail via secretaria dos órgãos colegiados um documento cujo título é “Manifestação do Conselho de Coordenação do CCMN à comunidade da UFRJ”. Sobre o conteúdo da peça, gostaríamos de fazer algumas considerações.

Em primeiro lugar, gostaríamos de compreender o que o CCMN entende por “ações inteiramente irregulares de pequenos grupos”. Se centenas de estudantes têm seguidamente se manifestado em diversas sessões do Conselho Universitário desde o ano passado, entendemos que isso reflete um dado da realidade que não poderá ser varrido para baixo do tapete: os colegiados da UFRJ, por sua própria composição e estrutura, há muito tempo já não refletem a realidade da nossa universidade. A comunidade acadêmica quer debater os rumos da UFRJ. Mais do que isso, ela deseja ter algum poder de influência sobre esses rumos, coisa que não tem acontecido. Vemos grandes e polêmicas transformações sendo propostas e aprovadas nos colegiados sem que estudantes, professores e técnico-administrativos muitas vezes tenham sequer tempo de ter qualquer acúmulo a respeito. Gostaríamos de entender sobretudo o que o Conselho de Coordenação do CCMN entende por “pequenos grupos”. Estarão se referindo aos cerca de 6500 estudantes que votaram nas chapas contrárias ao REUNI na última eleição para DCE realizada nesta universidade? Talvez estejam falando dos quase 5000 estudantes que votaram contra o REUNI no plebiscito que realizamos recentemente aqui na UFRJ. Ou talvez ainda das centenas que têm comparecido a diversas sessões deste Conselho reivindicando o mínimo: espaço para debater e decidir os rumos da UFRJ. Talvez a resposta sejam todas as anteriores. De qualquer maneira, o DCE Mário Prata se orgulha profundamente de representar hoje todos esses estudantes, que certamente virão aqui quantas vezes julgarem necessário.

Também não fomos capazes de identificar nas últimas sessões do CONSUNI qualquer imposição de constrangimento físico ou dano patrimonial à universidade por parte das manifestações estudantis. Aliás, muito pelo contrário. Sabemos que as nossas manifestações são incômodas muito mais por expor as contradições e limites desta universidade e deste Conselho do que pelos danos concretos que supostamente causam. De uma coisa, no entanto, todos aqui podem ter certeza: não é com prazer que ocupamos diversas sessões do CONSUNI. Seria muito mais interessante se tivéssemos espaços para debater e influenciar os rumos da UFRJ sem precisarmos recorrer a este tipo de expediente. Infelizmente, isso hoje não existe por aqui. O que vimos na última sessão do Conselho só corrobora essa constatação: sequer entrou na pauta a discussão de um calendário de debates a respeito do Plano Diretor na nossa universidade. Certamente, suas tão polêmicas diretrizes serão aprovadas nas férias por este colegiado, longe da presença incômoda dos estudantes. Não seria a primeira vez que isso acontece, diga-se de passagem. Ainda assim, será mais uma vez uma vergonha se isso acontecer.

Não é o nosso comportamento que é “absolutamente incompatível com as normas de convivência e participação democrática em órgãos colegiados da UFRJ”; são os colegiados desta universidade que são hoje bastante incompatíveis com os desejos da comunidade acadêmica. Nesse sentido, moções como essa aprovada pelo CCMN não nos surpreendem. Nem intimidam. Estaremos sempre lutando nas trincheiras da defesa da educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, esta sim absolutamente incompatível com o REUNI que a decania do CCMN tanto deseja ver implementado na UFRJ.


Veja aqui as manifestações de apoio ao Consuni.