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Representantes do ProJovem reivindicam modificações e discutem suas experiências

Representantes de 56 municípios integrantes do Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Ação Comunitária (ProJovem) trocaram informações e experiências e discutiram questões relativas à estrutura do programa e sua implementação no encontro realizado nesta quarta-feira, 14 de maio, na Coppe.

 Durante a mesa A experiência pedagógica da qualificação profissional na visão dos coordenadores locais, integrante da programação do Encontro de Qualificação Social e Profissional — A experiência do ProJovem foi apresentada dia 14 de maio por representantes de 56 municípios que fazem parte do Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Ação Comunitária (ProJovem).

Os participantes trocaram informações e experiências e discutiram questões relativas à estrutura do programa e sua implementação. O evento foi promovido pelo Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da UFRJ que desde 2006 vem trabalhando no desenvolvimento de material didático para o ProJovem, bem como na capacitação de professores que atuam no programa.

O ProJovem é um projeto estratégico da Política nacional de Juventude do governo federal que foi implantado em 2005 sob a coordenação da Secretaria-geral da Presidência da República em parceria com o Ministério da Educação (MEC), Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A ação e o objetivo deste plano é integrar à sociedade, por meio da educação, os jovens de 18 a 24 anos que não possuem o ensino fundamental completo e sem vínculos formais de trabalho.

Uma das questões abordadas na mesa foi a estrutura organizacional do novo ProJovem Urbano elaborado em reunião em Brasília em setembro do ano passado e aprovado em abril deste ano pela Câmara. O novo formato do programa vai ampliar a facha etária dos participantes para atender jovens de 15 a 29 anos e será subdividido em quatro modalidades: ProJovem Adolescente, ProJovem Urbano, ProJovem Campo e ProJovem Trabalhador. Segundo os coordenadores municipais presentes na mesa, o novo projeto prevê a eliminação dos cargos de coordenador de qualificação profissional e coordenador de ação comunitária, presentes no atual projeto do ProJovem juntamente com os cargos de coordenador administrativo e pedagógico.

Esta mudança seria desastrosa, pois muitas atribuições recairiam sobre a responsabilidade do coordenador administrativo de modo que este não daria conta do trabalho, enfraquecendo, então, a atuação do ProJovem. Como conseqüência desta discussão foi escolhida uma pequena comissão formada por quatro coordenadores municipais para redigir um documento, com a intenção de expor esta questão, a ser enviado para o ministro do trabalho e emprego.

— O Projovem não visa empregabilidade, mas é um consenso entre nós coordenadores o fato de que a questão da inserção social de fato se dá através do emprego— disse Telmo Botelho, coordenador de qualificação profissional de Gravataí, Rio Grande do Sul, apresentando outro aspecto negativo do ProJovem, mas que estaria sendo superado através de ações municipais e parcerias com empresas privadas.

A coordenadora de qualificação profissional de Belém do Pará, Ana Lúcia Monteiro da Cunha, contou que apesar do ProJovem não ter em seu plano políticas para inserção do jovem no mercado de trabalho, em seu município foram criadas ações para isto. Entre as medidas adotadas foi implementado o programa Jovens em Ação da prefeitura. Através desta vertente paraense do ProJovem, cada participante recebe do governo federal uma ajuda de custo de R$ 100 e participa de estágios oferecidos pela prefeitura em parceria com empresas privadas e nos próprios órgãos da gestão municipal. Exemplo destas parcerias foi um convênio feito com a construtora civil Villa Del Rey e com a rede hoteleira local para garantir emprego aos alunos formados pelo ProJovem.” A primeira turma formada está toda empregada” disse Ana Lúcia.

Livros didáticos

O principal objetivo desse evento realizado pela COPPE foi avaliar e debater o conteúdo do material didático utilizado no Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem). Tal material é fruto de uma parceria da COPPE com o Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), responsáveis pela produção de mais de 50 volumes, dentre eles o Guia de Estudos e o Manual do Educador, utilizados na qualificação social e profissional do programa. As publicações são voltadas para diversos temas, que foram nomeados de “Arco Ocupacionais”, que abrangem 23 áreas, entre elas, material voltado para Construção Civil, Turismo e Hospitalidade, Arte e Cultura, Saúde, Agro-extrativismo, Vestuário.

Segundo Fábio Zaberlan, professor da COPPE e coordenador do evento, o objetivo é promover um diálogo entre os autores dos livros e especialistas de suas respectivas áreas, de maneira que esses possam avaliar o material que está sendo proposto e dessa forma promover melhorias. Para ele, um dos fatores que contribuem para a importância do evento é a presença de pessoas, ou de seus representantes, que estão comprometidos com a qualidade e eficiência do material didático e dos processos formativos.

Co-autor do livro A Construção Civil no Brasil, o engenheiro Mário Henrique Cardoso argumentou que o trabalho de um livro nunca está concluído, principalmente quando esse tem a finalidade de servir como instrumento de trabalho para professores. “O material didático é produzido para atender uma demanda do professor e deve ser sempre atualizado caso seja requisitado. A construção de um livro requer o antes, o durante e o depois, deve ser sempre reavaliado.”

O ProJovem busca ser uma escola diferente para o jovem que se encontra em uma tênue fronteira com a exclusão social.  Para atingi-lo, o programa busca a comunicação através uma linguagem que esse possa assimilar e compreender. Daí a importância de uma convivência harmonia entre o material didático, a dinâmica das aulas e pessoas envolvidas neste processo.

O programa busca, em longo prazo, que a juventude adquira um grau de instrução que possibilite sua absorção pelas empresas, assim como também seja capaz de realizar, no dia-a-dia, serviços no mercado informal e que dessa forma possa se auto-sustentar.

Mário Henrique destacou a importância da linguagem no processo de criação desse instrumento. Segundo ele, por se tratar de um projeto voltado para jovens com a escolaridade incompleta, a linguagem deve traduzir de forma clara e objetiva o seu cotidiano. “A linguagem deve servir para uma aproximação do professor com o aluno e, não o contrário. Cada educador deve tentar reproduzir, respeitando um limite, o modo de se comunicar dos seus alunos, como esses falam e ouvem, por exemplo. Respeitar o modo que esses jovens se implantam no mundo é essencial para o processo de aprendizado. O professor deve estar muito atento a essas questões, caso contrário acabaria por se afastar dos alunos”, afirmou.

O engenheiro defendeu a função do professor como a única profissão existente. Segundo ele,  os demais cargos seriam tratados como ocupação. Desse modo, um sujeito desempenharia ocupação de jornalista, de padeiro, de médico. No entanto, em todos esses cargos, estaria presente a possibilidade de se tornar professor, que nada mais é, e ao mesmo tempo tudo significa que a condição de ensinar e estar sempre apto a aprender. “O principal é ser professor em qualquer ocupação”, alegou.

O Encontro de Qualificação Social e Profissional — A experiência do ProJovem teve início dia 13 de maio com a mesa de abertura intitulada O ProJovem como política governamental de inclusão social que contou com a presença de representantes da UFRJ, da Secretaria Nacional de Juventude e do projeto Pró-Jovem. Depois do breve discurso dos participantes da mesa, foi realizada uma apresentação dos repentistas nordestinos Zé Duda e Tarinho na qual foram cantados os “quatro cantos” do Brasil, além de uma rápida apresentação de rap do DJ Dom Negroni sobre a atuação ProJovem.