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Convênio estimula capacitação no combate à dengue

No contexto da epidemia da dengue, diversas instituições e centros da UFRJ vêm se engajando em atividades de combate à doença. A Escola de Enfermagem Anna Nery também participa com força desta mobilização, em diversas frentes. Através de convênios com as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, propõe a capacitação de professores, alunos e líderes comunitários, além de estimular o voluntariado em hospitais e tendas de campanha.

No contexto da epidemia da dengue, diversas instituições e centros da UFRJ vêm se engajando em atividades de combate à doença. A Escola de Enfermagem Anna Nery também participa com força desta mobilização, em diversas frentes. Através de convênios com as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, propõe a capacitação de professores, alunos e líderes comunitários, além de estimular o voluntariado em hospitais e tendas de campanha.

– A EEAN está no contexto de comemoração dos seus 85 anos de vida institucional. Sempre tivemos convênios e acordos assinados com as Secretarias de Saúde do Estado e município do Rio de Janeiro. Este acordo tem como objetivo principalmente a capacitação de enfermeiros de todo o estado. A diferença reside, agora, na maior importância que dirigimos ao combate à dengue – esclarece Maria Antonieta Rubio Tyrrell, diretora da Escola.

Secretaria Estadual

Na última quarta-feira, 2 de abril, um seminário promovido pela Secretaria Estadual de Saúde traçou um perfil epidemiológico da mortalidade de mulheres grávidas e crianças, dentro da epidemia de dengue. A EEAN compareceu através da diretora, alunos e professores da área materno-infantil. “Fomos convidados pelos superintendentes da Secretaria para iniciar um trabalho de capacitação de professores da Escola no manejo clínico da dengue e na triagem de risco, de acordo com o protocolo ministerial”, explica a diretora.

A partir daí, em conjunto com Lilian Felippe Duarte de Oliveira (coordenadora de graduação da EEAN), foi analisada a constituição do conteúdo de combate à dengue, dentro da formação do aluno. “Vimos que havia uma comunicação do Estado convidando duas professoras do EEAN, que ministram aulas em um programa curricular interdepartamental do final do curso de graduação. Entre as competências desenvolvidas por elas está o preparo do aluno para se inserir em diagnósticos simplificados de saúde. As professoras, desta forma, elaboraram planos de intervenção, feitos em parceria com a Secretaria do Estado e já incluindo o combate à dengue”, atesta Maria Antonieta. Houve, em seguida, uma solicitação para que as duas professoras treinadas desempenhassem um papel multiplicador, capacitando alunos da Escola, que em seguida capacitariam também os enfermeiros do Estado.

– Aguardo uma resposta deles para que possamos realizar um treinamento com todos os nossos professores. Até o fim desta semana, espera-se atingir pelo menos dois dias de capacitação intensiva do corpo docente -, explica Lilian Felippe.

Secretaria Municipal

Ao perceber que o processo de combate à dengue vinha surgindo de forma fragmentada e autônoma, a direção da EEAN sentiu a necessidade de tomar uma posição institucional. Paralelamente ao requerimento que a Secretaria de Estado executava, a Secretaria Municipal preparou um convite a todos os coordenadores e diretores dos cursos de enfermagem do Estado do Rio de Janeiro para uma reunião, realizada na última quinta-feira, 3 de abril, junto com o Secretário Municipal de Saúde, Jacob Kligerman. “Neste encontro compareceram cerca de 50% dos diretores das escolas no nosso estado. Solicitaram nossa ajuda em duas vertentes: a primeira era participar de um programa de voluntariado nos fins-de-semana ou à noite, dentro de hospitais, centros de saúde e tendas de atendimento a infectados pela dengue. A outra seria a participação dos professores e alunos para sensibilizar as orientações, o acolhimento, a informação e o esclarecimento sobre as medidas que se deve tomar ao suspeitar da doença, o que fazer e para onde ir. A idéia é que o paciente com dengue não corra atrás do atendimento, mas sim que a rede chegue até ele”, esclarece a diretora.

Além destas duas vertentes, a EEAN assumiu também a execução de um intenso trabalho de treinamento dos docentes, para que a Escola se torne um centro de capacitação de atendimento de alcance municipal e estadual. “Não queremos preparar apenas profissionais da área da saúde, mas também líderes comunitários e de associações de moradores, síndicos e todos os interessados”, completa Lilian Felippe.

O trabalho destes representantes será constantemente monitorado. Se ele mora em uma determinada região, automaticamente saberá como encaminhar alguém com suspeita de dengue para o hospital mais próximo, indicando também que medidas devem ser tomadas para evitar problemas graves.

Os alunos em estágio curricular poderão atuar nos centros municipais de saúde e em hospitais de campanha, além das atividades extra-curriculares de extensão, aos sábados e domingos. Os alunos e professores capacitados trabalharão em diversas frentes, como escolas de primeiro e segundo grau, programas com os trabalhadores e ambulatórios, entre outros. “Hoje, já iniciamos as atividades no Hospital Marcolino Candau, e também atendemos em voluntariado os Programas de Saúde da Família do Caju e São Cristóvão, além da tenda do Hospital Souza Aguiar”, enumera Maria Antonieta. “É importante que nossa instituição não se omita diante de uma calamidade pública. Incluir ações deste gênero nas atividades dos corpos docente e discente constitui-se, portanto, nosso dever político-social”, finaliza.