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Reitor fala dos novos desafios das universidades públicas

Na última terça-feira, o reitor Aloísio Teixeira proferiu a Aula Magna que abriu oficialmente o ano letivo da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Em entrevista à Coordenadoria de Imprensa da universidade, Aloísio comentou sobre os desafios da universidade pública brasileira, entre eles, os desafios tecnológicos e a universalização da educação. Confira.

 O Reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, proferiu na última terça-feira a Aula Magna que abriu oficialmente o ano letivo da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Em entrevista à Coordenadoria de Imprensa da UFRR, Aloísio falou sobre os desafios da universidade pública brasileira, entre eles, os desafios tecnológicos e a universalização da educação. O Reitor da UFRJ abordou também a parceira entre a UFRJ e a UFRR para abertura de novos cursos de pós-graduação. Confira a entrevista na íntegra.    

CI/UFRR: Quais os desafios da universidade pública brasileira hoje?

Reitor da UFRJ: A universidade é uma instituição milenar. Mesmo as mais antigas universidades brasileiras são jovens. Quando a gente compara com a América espanhola, onde elas existem desde o século XV, vemos que no Brasil ela é tardia. Mas para uma universidade como a de Roraima é muito importante conhecer as experiências, as dificuldades e os erros na concepção das universidades brasileiras.
Nós vivemos um momento de universalização da educação superior. Nos países mais adiantados há mais de 60% dos jovens entre 18 e 24 anos cursando uma universidade. Isso acontece nos EUA e no Canadá e em alguns países da Europa. Aqui no Brasil este número chega a 12%. Isso dá uma idéia do nosso atraso. Um dos nossos defeitos deste processo histórico de criação das universidades é que nós somos federações de escolas de formação profissional. Nós ainda não temos verdadeiras universidades com formação universal do jovem crítico e humanista.

CI/UFRR: Que pontos o senhor destacaria?

Reitor da UFRJ: Nós não temos universidades que sejam verdadeiramente autônomas. A autonomia é importante para que as IFES possam desenvolver livremente todo o seu potencial. Nós temos problemas de financimento, quer dizer, mesmo com os avanços conquistados nos últimos anos, a universidade ainda é carente de recursos. Nós temos problemas que eu chamaria de estruturação interna, somos ainda universidades muito rígidas, fragmentadas, exclusivamente dedicadas a formação profissional, com estruturas acadêmicas com poucas possiblidades de trocas horizontais de conhecimento.
Nós estamos conseguindo avançar recentemente como um verdadeiro sistema de educação superior, que permite que as universidades mais antigas possam interagir com as mais novas, que também as instituições públicas possam ter apoio de todos os níveis de governo. Então estamos começando agora a construir um modelo um pouco mais cooperativo. Isso vai ser importante para o desenvolvimento de todo o sistema.

CI/UFRR: Sobre a sua visita a Roraima o que senhor tem a dizer?

Reitor da UFRJ: Ao mesmo tempo que estamos participando da tradicional Aula Magna que é um evento importante para a universidade de Roraima, onde estaremos discutindo estas dificuldades, estamos também estreitando o diálogo entre as duas instituições (UFRJ e UFRR) por meio de uma reunião com vistas a criar um curso de pós-graduação interinstitucional aqui na UFRR.

CI/UFRR: Como a UFRJ enxerga o trabalho de pesquisa das universidades novas da região Norte, em especial em Roraima? 

Reitor da UFRJ: Eu vejo com uma expectativa muito positiva. O Brasil está tendo um esforço imenso não só para construir instituições capazes de ministrar o Ensino Superior, mas principalmente para ter nesta região instituições que combinem muito bem o ensino, a pesquisa e a extensão. A pesquisa é uma das coisas que estão acontecendo nas universidades da região, em especial aqui em Roraima. Umas das expectativas é de poder estabelecer programas de cooperação no campo da pesquisa científica, de tal maneira que nós possamos aprender com as coisas que são feitas aqui na Região Amazônica e que possamos trazer um um pouco da nossa experiência lá da Rio para o desenvolvimento da pesquisa.
É um momento novo que a gente está vivendo e eu pessoalmente estou empenhado, junto ao Governo para que se crie uma espécie de FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) do norte do país. O FNDCT foi um instrumento permitiu o desenvolvimento da pesquisa em várias universidades do Centro-Sul e algumas do Nordete do país e acho que é possível e necessário que se faça algo semelhante aqui.

CI/UFRR: Qual a sua impressão do campus da UFRR e da estrutura que está sendo implementada?   

Reitor da UFRJ: O campus está vivo. Com inúmeras obras em curso, o que nos faz ver com extrema animação o processo que está ocorrendo. Em certa medida, há mais vida e animação aqui do que no Rio de Janeiro, o que é uma coisa muito importante para o Brasil.