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Memória

Museu Nacional apresenta nova espécie de crocodilo marinho

O Museu Nacional (MN/UFRJ) apresentou, na manhã da última quarta-feira (26/03), uma nova espécie de crocodilo marinho pré-histórico, que habitou o planeta há cerca de 62 milhões de anos. O Guarinisuchus munizi, apelidado de “guerreiro dos mares” por ter sobrevivido à grande crise biológica que extinguiu os dinossauros, foi encontrado em 2002 na região de Mina Poty, situada ao norte de Recife, em Pernambuco.

 O Museu Nacional (MN/UFRJ) apresentou, na manhã da última quarta-feira (26/03), uma nova espécie de crocodilo marinho pré-histórico, que habitou o planeta há cerca de 62 milhões de anos. O Guarinisuchus munizi, apelidado de “guerreiro dos mares” por ter sobrevivido à grande crise biológica que extinguiu os dinossauros, foi encontrado em 2002 na região de Mina Poty, situada ao norte de Recife, em Pernambuco.

José Antônio Barbosa, paleontólogo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) responsável pela descoberta do fóssil, explicou que o material foi encontrado em rochas da formação “Maria Farinha”, que representam o mar da costa nordestina naquela época. Apesar da exploração comercial da pedreira acontecer desde a década de 1940, muitos materiais paleontológicos são coletados no local, principalmente moluscos.

— O Guarinisuchus munizi foi descoberto por acaso durante um trabalho de campo e representa o fóssil mais completo já encontrado em toda a América do Sul. Descobrir um material tão completo é muito raro. A boa datação das peças encontradas e o local onde elas estavam nos ajudarão a compreender muito mais sobre o período em que viveram — observou Barbosa, referindo-se à passagem do Período Cretáceo Terciário para o Paleoceno.

Alexander Kellner, pesquisador do Museu Nacional, e Maria Somália Sales Viana, da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA/CE), desenvolveram junto com Barbosa o trabalho científico descrevendo a nova espécie, publicado na revista inglesa Proceedings of the Royal Society B. Para Maria Somália, o material paleontológico descoberto mostra a riqueza das bacias sedimentares nordestinas. “A existência deste crocodiliforme no litoral nordestino revela um grande parentesco com espécies africanas, o que levanta questões sobre os hábitos e a distribuição geográfica dos dinossaurídeos”, ressaltou a pesquisadora.

De fato, a descoberta dá novo fôlego à hipótese de que África e América já estiveram mais próximas. De acordo com Alexander Kellner, são muito grandes as chances de que esses crocodilos tenham realizado uma migração transoceânica.

— Particularidades presentes no crânio, cauda e dentes do fóssil indicam que ele vivia inteiramente no ambiente marinho. Como a origem dos Dynosauridae se deu na África, onde os materiais mais primitivos são encontrados, muito provavelmente houve uma dispersão desses animais do continente africano em direção à América, tanto que na América do Norte são encontrados os fósseis das formas mais derivadas e aqui na parte sul estão os esqueletos das espécies intermediárias da escala evolutiva — destacou o paleontólogo.

Segundo Kellner, as réplicas osséas do Guarinisuchus munizi — cujo nome foi dado em homenagem a Geraldo da Costa Barros Muniz, pesquisador pioneiro nos estudos sobre a bacia onde o crocodiliforme foi encontrado — ficarão expostas no Museu Nacional a partir da próxima sexta-feira (28/03).