Categorias
Memória

Hospital da UFRJ revoluciona tratamento para câncer de mama

O Núcleo de Pesquisa em Câncer (NPC) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ) desenvolve uma pesquisa inovadora na área de câncer de mama. Em parceria com países do mundo inteiro, o NPC estuda um medicamento capaz de inibir um gene que torna o tumor mais agressivo.

 O Núcleo de Pesquisa em Câncer (NPC) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ) desenvolve uma pesquisa inovadora na área de câncer de mama. Em parceria com países do mundo inteiro, o NPC estuda um medicamento capaz de inibir um gene que torna o tumor mais agressivo. O tratamento tem mostrado resultados positivos, tanto nas fases mais avançadas da doença como nos estágios iniciais, em que pode evitar a metástase, ou seja, o alastramento do tumor pelo organismo. Mulheres portadoras da doença podem ter acesso ao tratamento gratuitamente.

O professor Eduardo Côrtes, coordenador do projeto, explicou que esse oncogene, chamado HER2, existe em 20 a 30% dos tumores de mama e estimula a célula cancerígena a crescer, além de aumentar sua capacidade invasiva: “Os medicamentos pesquisados inibem esse gene. É um avanço na oncologia: a terapia de alvo molecular. O remédio só age, ou age, pontualmente, apenas no alvo. É diferente da quimioterapia, que não tem um alvo, age nas células como um todo. Por isso há efeitos como queda de cabelo e redução de glóbulos brancos.”

Cerca de 30 países do mundo inteiro pesquisam os inibidores desses oncogenes. O NPC foi escolhido para ser o centro coordenador no Brasil. O núcleo também desenvolve projetos em parceria com a Universidade da Califórnia e com a Universidade de Harvard. “Nós hoje temos pesquisas para tratar a mulher quando ela já tem um câncer muito avançado, para tratamento das pacientes na primeira metástase e para evitar que elas tenham metástase. Nós fechamos o ciclo. Temos tudo o que há de mais novo e moderno no tratamento do câncer que é a terapia de alvo molecular”, destaca Eduardo Côrtes.

O professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina ressaltou que o remédio é comprovadamente eficaz. Agora, o núcleo trabalha na ampliação de suas indicações. “Nós estamos ajudando a construir o conhecimento a ser utilizado daqui a dois, três anos. Quando o médico for prescrever esse remédio, será como ele hoje prescreve para a mulher que tem a doença avançada. Ele agora prescreve por causa de um estudo terminado no ano passado que nós participamos também.”

Com a terapia de alvo molecular, o próximo passo é a inibição da angiogênese. “A inibição do gene e da angiogênese é o que há de mais novo em câncer. A angiogênese é a formação de vasos do tumor. O próprio tumor estimula a formação de vasos sangüíneos para sua nutrição. Isso é um fator determinante na capacidade de invasão do tumor, significa invadir à distância, provocar metástases”, explicita o oncologista.

Pacientes podem obter medicamento gratuitamente
A pesquisa é feita com mulheres portadoras da doença. “A pesquisa extrapola os muros da universidade. Nós temos pacientes da própria UFRJ e de outros hospitais do Rio de Janeiro. A gente não fecha as portas. A paciente continua no hospital de origem, mas vem aqui, é tratada e recebe o medicamento”, explica o médico. Somente na pesquisa voltada para evitar a metástase, são 3 mil mulheres, acompanhadas por, pelo menos, dez anos. O tratamento é gratuito para a paciente. “Esse projeto tem relevância social. Eu acredito que elas vão ser beneficiadas em tomar um inibidor de HER2. A participação no estudo permite um acesso a coisas que essas pacientes nunca teriam”, salienta o professor Eduardo.

Para receber o medicamento gratuitamente e se associar ao programa de pesquisa, a portadora de câncer de mama deve ligar para (21) 2562-2561 ou mandar um e-mail para nucpesquisacancer@hucff.ufrj.br. Eventuais exames que se tornem necessários também não têm custo para a mulher.

O professor Eduardo Côrtes convoca novas pacientes. “De dez em dez anos aparece uma grande descoberta em câncer. A inibição do HER2 e da angiogênese é uma delas. E a gente quer divulgar isso, porque há muitas mulheres que podem se beneficiar”, conclui o especialista.