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Palestinos reassentados aprendem a língua portuguesa

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ofereceu, entre os dias 14 e 18 de janeiro, o curso de capacitação para professores de português para refugiados palestinos no Brasil.

 A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ofereceu, entre os dias 14 e 18 de janeiro, o curso de capacitação para professores de português para refugiados palestinos no Brasil. A Organização das Nações Unidas (ONU) reassentou no país cerca de 108 palestinos que viviam em campos de refugiados na Jordânia. Hoje, 57 vivem em São Paulo e 51 no Rio Grande do Sul. A iniciativa de trazê-los para o Brasil ocorreu por ter sido publicado aqui o livro “Português para falantes de árabe”, produzido por docentes ativos e aposentados, que atuam no Setor de Estudos Árabes do Departamento de Línguas Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras  da UFRJ.

Para que os reassentados pudessem aprender a língua portuguesa, a ONU recrutou professores que falassem as duas línguas para ensiná-los. Entretanto, os professores sentiram a necessidade de ter um curso de capacitação a fim de que pudessem esclarecer eventuais dúvidas sobre a aplicação da metodologia  utilizada em “Português para falantes de árabe”. No curso, ministrado pelos organizadores do livro, foram discutidas as peculiaridades do trabalho de cada professor com seus respectivos alunos, surgindo sugestões para o melhor aproveitamento do método. 

De acordo com o  docente aposentado e integrante do Setor de Estudos Árabes da UFRJ, João Baptista Vargens, o livro, que é reconhecido internacionalmente e utilizado na Universidade de Damasco, utiliza o método contrastivo, no qual se verificam as semelhanças e diferenças entre as duas línguas nos campos morfológico, sintático e fonológico. Ele ressalta também que as 26 lições contidas no livro trazem temas que permitem ao estudante aprender imerso na cultura brasileira. “O livro traz as principais festas culturais, cívicas e lúdicas do país e ao final de cada lição há um texto bilíngüe explicando a festividade apresentada nela”, elucida Vargens.

Nas primeiras lições do livro, os estudantes palestinos encontram o vocabulário utilizado no dia-a-dia dos brasileiros. Segundo a docente aposentada e integrante do Setor de Estudos Árabes da UFRJ, Geni Harb, com expressões de sociabilidade como, por exemplo, bom dia, boa tarde, os alunos já conseguem estabelecer uma comunicação com os nativos. A professora afirma, ainda, que os elementos encontrados na construção de frase em português também são utilizados em árabe, porém há uma diferenciação na localização deles. “Em árabe, as frases são sempre iniciadas pelos verbos”, ressalta.

Quando o assunto é a dificuldade dos alunos em aprender, a  professora dos palestinos, Najah Samara Alkhaeid, afirma que as principais barreiras para os estudantes são os fonemas “p” e “v”, que não existem em árabe, e aos alunos acabam pronunciando, respectivamente, os sons de “b” e “f”. No entanto, de acordo com a professora, os entraves fonéticos são pequenos diante da dificuldade que é para seus alunos ficarem longe de suas famílias, já que muitos deles vieram para o Brasil e deixaram seus parentes em campos de refugiados. “Os palestinos são muito apegados à família e ter que deixá-la em outro país é algo bastante doloroso”, enfatiza Alkhaeid.