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Ensino Superior no Brasil e a França

 Foto: Agência UFRJ de Notícias
  
 Ridha Ennafaa afirma que ingressar na faculdade
 vai além da matrícula.

A fim de criar um espaço de formação e debate com temáticas atuais que propiciem um diálogo entre a universidade e a sociedade, o grupo Conexão de Saberes e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criaram o Quintas de Diálogos. Em seu sexto encontro, a discussão engloba o debate a respeito do acesso e da permanência de estudantes no Ensino Superior. A apresentação do dia 20 de setembro foi por parte de Ridha Ennafaa, da Universidade Paris 8 (França), diretor do Centro de Pesquisas sobre Educação Superior e do Observatório da vida estudantil, além de participar do estudo de análise dos estudantes estrangeiros e do método de ensino na França e em outros países, incluindo o Brasil.

Ridha inicia falando da tendência mundial de aumento na demanda de alunos pelo acesso ao Ensino Superior, que gradativamente vem se internacionalizando. Além disso, ele menciona a inclinação nas universidades a promover um ensino de formação totalmente voltado para as exigências do mercado de trabalho, característica que pode vir a prejudicar bastante a qualidade do conteúdo passado aos estudantes. O mesmo ocorre em instituições do Ensino Médio, que se dedicam quase exclusivamente a passar informações relevantes ao vestibular, restringindo o leque de assuntos ricos que podem ser abordados.

Quanto à taxa de escolarização brasileira, o especialista revela que os maiores índices são indicados nas regiões Sudeste e Sul, enquanto a situação mais preocupante fica no Nordeste. Em sua pesquisa no Brasil, Ridha analisou a situação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e constatou que a demanda de candidatos vem diminuindo entre pessoas de poder aquisitivo mais elevado, constituindo a classe social A, enquanto as classes E e D, mais baixas, vem buscando assiduamente uma vaga em instituições federais e estaduais de Ensino Superior. A predominância é de uma população matriculada, até o término do Ensino Médio, em escolas públicas, invertendo no Ensino Superior para um maior contingente em universidades particulares. Além disso, em toda América Latina, exceto na Guatemala e no Chile, a predominância nas instituições de ensino é feminina.

Outro dado cedido por Ridha é a respeito do índice de evasão nas universidades ao longo do primeiro ano de curso dos estudantes. As pesquisas evidenciam que quanto mais rígida é a seleção de ingresso no Ensino Superior, menor o índice desistência. A preocupação em manter os estudantes em seus cursos impulsionou uma análise das características que devem ser exploradas pelo corpo docente. O pesquisador lança como seu último argumento que “ingressar na universidade deve ir além do simples ato da matrícula. Precisa incluir um aprendizado real, iniciando uma atividade intelectual de interação de saberes, permitindo até mesmo que o estudante explore novos espaços de conhecimento e de maneira despreocupada, livre do contexto imediato que deixa nele a angústia e o medo de não conseguir êxito no mercado de trabalho. Mais importante ainda, o universitário precisa ganhar a potência e a vontade de pensar questões a partir de seus próprios referenciais”.