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Debate acalorado durante audiência pública do PRE no IFCS

Alunos e professores do IFCS contestam a proposta de transferência das atividades da unidade para a Ilha da Cidade Universitária. Essa opinião, no entanto, não é unânime. Confira aqui esse e outros pontos debatidos na primeira audiência pública sobre o PRE/UFRJ, realizada no Largo de São Francisco, na última quarta-feira.

Foto: Marco Fernandes 
 
 Audiência pública sobre PRE lotou
Salão Nobre do IFCS.

   Primeira Audiência Pública no IFCS
“Não queremos sair daqui, reitor!”. Foi através dessa frase que Clara Acker, professora substituta do Instituto Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), sintetizou a opinião de parte dos estudantes e do corpo docente da unidade quanto à proposta de transferência dos cursos locados no Largo de São Francisco (Centro do Rio de Janeiro) para a Ilha da Cidade Universitária, contida no Plano de Reestruturação e Expansão da UFRJ (PRE/UFRJ).

De acordo com os argumentos resistentes à reordenação espacial, explicitados durante a Audiência Pública sobre o PRE/UFRJ, realizada nesta quarta-feira (19) no IFCS, a atual localização do instituto, além de permitir um contato maior com ambientes de pesquisa importantes, como a Biblioteca Nacional, por exemplo, facilita o trânsito e a mobilidade de alunos que trabalham nos arredores do IFCS.

Parte dos profissionais da unidade, no entanto, mostrou-se favorável à mudança, que almeja como fim último à integração entre as ações acadêmicas, mas reivindicaram participação no projeto arquitetônico de edificação do prédio na Ilha do Fundão, bem como solicitaram protagonismo central nas discussões da destinação do prédio onde atualmente estão instaladas as atividades do IFCS.

Foto: Marco Fernandes 
 
 Clara Acker: resistência à ida para
Ilha da Cidade Universitária.

A concentração de cursos na Cidade Universitária não foi o único tópico debatido no encontro. A audiência, que durou mais de cinco horas, reuniu estudantes de áreas distintas e pertencentes a diversas correntes do movimento estudantil. Os comentários dos alunos foram além da análise do PRE proposto pela reitoria. Muitos estudantes aproveitaram o espaço para tecer críticas ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), lançado em abril deste ano, pelo governo federal.

Esses discentes, ligados, principalmente, à Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (Conlute) e ao Movimento Correnteza, embora defendam a universalização do acesso à Educação Superior, censuram o financiamento das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) previsto no Reuni e se opõem à expansão de vagas realizada mediante a criação de cursos de terminalidade breve. Durante a reunião, eles pediram o alargamento dos prazos de discussão do PRE, sugerindo ainda a realização de um plebiscito, no qual a comunidade universitária pudesse decidir pela adesão ou não da UFRJ ao Reuni.

Nem todos os alunos, entretanto, estão resistentes às transformações. Representantes do Centro Acadêmico de Ciências Sociais, acompanhados por estudantes do Diretório Central de Estudantes Mário Prata (DCE/UFRJ), manifestaram apoio às diretrizes expostas no Plano de Reestruturação da UFRJ. Segundo esses alunos, a proposta pauta e viabiliza a reconstrução da universidade: “A universidade brasileira é elitista sim. Ela é branca sim. Ela forma os filhos das elites para trabalhar para as elites. A gente tem pressa de aprovar esse plano porque queremos transformar a UFRJ. Não queremos esperar dez anos para ver as classes menos favorecidas aqui dentro”, enfatizou Alana, estudante do IFCS.

Foto: Marco Fernandes 
 
 Reitor: "Estamos propondo uma
UFRJ diferente".

Os membros da reitoria destacaram que, apesar das propostas de naturezas distintas, todos os presentes ao encontro revelaram insatisfação com o modelo de universidade vigente no pais, demonstrando desejo de transformações na estrutura do Ensino Superior. O reitor Aloísio Teixeira, ao relembrar experiências passadas como a Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi), ressaltou a necessidade de a comunidade acadêmica vencer o conservadorismo para, de fato, implantar mudanças:

– Estamos propondo uma UFRJ diferente da atual, uma UFRJ que seja integrada e calcada no acesso universal. Todos aqui temos uma coisa em comum: somos os de dentro. Não estamos fora da universidade. O que os de fora estão pensando? Será que eles ficam satisfeitos quando alegamos os justos argumentos debatidos aqui para fechar as portas para eles? – pontuou Aloísio, sublinhando ainda a importância da proximidade física entre os cursos no combate à fragmentação acadêmica.

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