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Memória

Jornalistas visitam laboratório de doping do Pan

O Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ/UFRJ) recebeu hoje, dia 11 de julho, os jornalistas responsáveis pela cobertura dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Eles participaram de uma coletiva de imprensa com o coordenador do Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (LADETEC – IQ/UFRJ), professor Francisco Radler.

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O Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ/UFRJ) recebeu hoje, dia 11 de julho, os jornalistas responsáveis pela cobertura dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Eles participaram de uma coletiva de imprensa com o coordenador do Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (LADETEC – IQ/UFRJ), professor Francisco Radler, do IQ/UFRJ,  e em seguida foram guiados a uma visita às dependências do LADETEC , responsável pelos testes antidoping do Pan.

Estiveram presentes na coletiva, junto à imprensa, representantes do Ministério do Esporte e da UFRJ, que falaram sobre a importância do controle de doping para o desenvolvimento do esporte no mundo inteiro.Também foram destacadas as contribuições da Universidade como um todo para a infraestrutura e funcionamento do Laboratório, tanto em termos de propriedade intelectual, quanto de infraestrutura, logística e segurança no período de realização do Pan.

– Nos orgulhamos do LADETEC, que é pioneiro, um exemplo de cooperação entre a Universidade e a Sociedade. A UFRJ possui a credibilidade e a responsabilidade de unir a pesquisa – sua produção de conhecimento científico – e o interesse público -, afirmou Ângela Uller, Pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da UFRJ, representante do reitor Aloísio Teixeira na reunião com a imprensa.

O LADETEC, coordenado pelo professor Francisco Radler, do IQ/UFRJ, é o único da América Latina credenciado pela Agência Mundial de Antidoping (Wada). Tal credenciamento ocorreu em 2002, através do Comitê Olímpico Internacional, o qual foi substituído pela Wada, em 2004, na realização de controle de doping.

A meta agora é fortalecer institucionalmente o laboratório, oferecendo todas as condições de trabalho necessárias. “Esse é apenas o início do processo. Se o Brasil espera um futuro no esporte em competições – como Copa do Mundo ou Olimpíadas – o LADETEC precisa ser exemplar, modelo para o mundo inteiro”, declarou José Antonio Barros Alves, representante do Ministério do Esporte. Segundo ele, não é possível realizar exames de doping em competições internacionais sem um laboratório próprio.

Doping

Para o professor Radler, o doping é muito mais do que uma substância que busca aumentar o desempenho esportivo em competições. O coordenador do LADETEC ressaltou que o objetivo do controle de dopagem está focado, principalmente, na proteção da saúde do atleta: “Qualquer substância que ele estiver tomando, por qualquer razão, que possa prejudicar sua saúde, estará contida nesse conceito da dopagem”.

Atualmente, ao contrário do estabelecido pelo senso comum, muitos atletas se dopam não pela vontade de vencer, mas sim pela cobrança de excelência por parte da sociedade, mídia, treinadores, clubes e até mesmo familiares, em meio a razões econômicas que envolvem ascensão social, fruto do prestígio dos grandes atletas.

Uma novidade é a chamada Isenção para Uso Terapêutico (IUT), uma permissão especial que o atleta pode requerer à organização do evento esportivo para utilizar determinada substância. Caso seja estabelecido que, do ponto de vista medico, o atleta deva tomar um medicamento, mesmo que este contenha alguma substancia proibida, ele não será punido por contê-la em seu organismo.

Radler explicou que o Laboratório, hoje, não declara resultados positivos, e sim um Resultado Analítico Adverso, que apenas informa se há ou não alguma substância proibida na urina do atleta. A constatação do positivo dependerá do fato de ele possuir ou não a IUT. O compromisso com a organização pan-americana estabelece um prazo de 24h para o laudo negativo, enquanto que o resultado adverso mais simples pode levar 48h ser emitido.

Laboratórios

Após a entrevista coletiva, a imprensa pôde conhecer o recém inaugurado Laboratório de Análise de Proteínas, Peptídios e Eritropoietina, além do Laboratório de Controle de Dopagem (LAB DOP), ambos associados ao LADETEC, e que estarão a serviço dos Jogos Pan-americanos através da realização dos exames anti-doping, feitos a partir da urina dos atletas.

O novo laboratório que integra o LADETEC lida com as chamadas drogas peptídicas (proteínas), cuja utilização pelos atletas é, atualmente, uma tendência. “Consiste em uma outra classe de substâncias, com medicamentos mais atuais, que ainda não estão sendo controlados com a facilidade das demais substâncias conhecidas há 40 anos. A tendência do atleta é sempre buscar o que o sistema talvez tenha mais dificuldade de controlar”, informou Radler.

A Eritropoietina (EPO) é a substância mais “badalada” pelos atletas, em certas modalidades de esportes, nos dias de hoje. Nesse sentido, o LADETEC conta com o apoio do colaborador Austríaco Christian Reichel, o maior técnico de EPO do mundo. Ele irá trabalhar exclusivamente na análise desse composto dopante protéico. “Ele estará aqui conosco durante todo o Pan-americano para nos auxiliar com a análise da EPO”, declarou Rafael Maia, analista responsável pelo Laboratório de Análise de Proteínas, Peptídios e Eritropoietina.

Ao longo do evento esportivo que se inicia na próxima sexta-feira, dia 13 de julho, o LADETEC, que costumava realizar cerca de 4000 exames de dopagem em um ano, terá que fazer cerca de 1300 análises de urina de atletas em apenas 15 dias.

A demanda de equipamentos, pessoal e logística, evidentemente, é muito maior. “Treze dos equipamentos de grande porte foram adquiridos com investimento direto do Ministério do Esporte, numa participação efetiva que viabiliza os trabalhos nos Jogos Pan-americanos”, informou Radler. Apenas em 2007, o investimento do Governo Federal no Laboratório chegou à ordem de R$1.400.000,00.

A previsão é que haja cerca de 140 pessoas trabalhando durante o Pan no Laboratório – dentre os quais 110 são técnicos nacionais e voluntários estrangeiros distribuídos em três turnos de dez horas – além do pessoal de infraestrutura em logística, alimentação e segurança.