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Dança, poesia e imagem se encontram no CCS (veja vídeo)

A Escola de educação física e desportos – EEFD e Programa de pós-graduação em química biológica educação, difusão e gestão em biociências (PEGED) realizaram o seminário Corpos Telúricos com o lançamento da videodança Passo a Passo. O evento também contou com palestras, vídeo instalações e performances. O coordenador foi o Prof.  André Meyer Alves de Lima.

 O Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFRJ) foi palco, dia 26, do seminário Corpos Telúricos, uma iniciativa transdisciplinar que reuniu, além de grande público, aspectos da dança, poesia, filosofia e imagem, retratados em palestras, em uma performance sensorial e na exibição da videodança “Passo a Passo”. Fruto das atividades do Programa Interdisciplinar de Iniciação e Profissionalização Artística da Companhia de Dança Contemporânea Helenita Sá Earp, o seminário, em sua segunda edição, ainda trouxe para o auditório Leopoldo de Meis, no campus do Fundão, poetas estrangeiros e estudiosos brasileiros renomados.

Os professores do Bacharelado em Dança da UFRJ, André Meyer e Ana Célia Sá Earp, se reuniram na coordenação do projeto Corpos Telúricos e na produção do média-metragem exibido no evento. A videodança, inteiramente filmada no Parque Nacional de Itatiaia e que já foi exibida em diversos festivais e mostras, como o Ano do Brasil na França e o Congresso Nacional de Filosofia, em Salvador, foi lançada ontem, como continuação de uma trilogia que começou com o vídeo Água das Origens, arrancando longos aplausos da platéia. Para André, a proposta do filme é “desenvolver cada vez mais produções que levem o nome da UFRJ a eventos de visibilidade, sejam eles nacionais e internacionais”.

Uma mesa de abertura inaugurou o evento, que contou também com palestras. Ainda houve uma performance sensorial, no Centro de Convivência do CCS, realizada por alunas da Cia. de Dança, seguida de um coquetel para o lançamento de livros. A professora Ana Célia Sá Earp, comemorou o sucesso do seminário e a “maciça presença de vários setores da universidade, desde alunos e funcionários a diretores”:

– Aconteceu exatamente aquilo que queríamos: um momento de transformação, de arte, de encontro entre as pessoas e o ambiente. Estamos no projeto há três anos, mas o trabalho de dança ligado à natureza já acontece há muito tempo, com a professora Helenita Earp, cuja teoria de dança é fundamentada na relação dança–natureza. Nossa idéia é alcançar vários setores da universidade, mostrando a todos a produção de nosso departamento – explicou a professora.

Waldyr Ramos, diretor da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD/UFRJ), também presente no evento, afirmou que o Departamento de Arte Corporal, do qual o bacharelado em dança faz parte, “é, sem sombra de dúvida, o que mais produz dentro da EEFD e o que tem a programação mais intensa”. Assim como a superintendente-geral da Pró-reitoria de Extensão da UFRJ, Isabel Cristina Azevedo, e Débora Foguel, diretora do Instituto de Bioquímica Médica, que compuseram a mesa de abertura do seminário, ele parabenizou a iniciativa. Isabel, que espera ver o projeto Corpos Telúricos amplamente difundido, considera o trabalho da companhia “uma produção de qualidade da universidade” e único, “pois une diferentes culturas e linguagens, e tem uma proposição absolutamente nova”.

Ângela Âncora da Luz, diretora da Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ), que também compôs a mesa inaugural do seminário, foi além: para ela, “em um evento como Corpos Telúricos, os saberes se complementam e o sentido universal da instituição universitária se faz presente”. A professora fez questão de enfatizar a importância da arte como “estatuto da humanidade” e ressaltou que, assim como o seminário, a arte contemporânea é multifacetada, pois “suas fronteiras são tênues e não existem mais as categorias rígidas do passado”.

Para a mesa de palestras, foram convidados os poetas Makarand Paranjape (indiano) e Jean-Luc Poliquen (francês) – que declama os poemas, de sua autoria, em Passo a Passo – além da pós-doutora em Filosofia pela UFRJ Marly Bulcão, que presta consultoria filosófica à equipe que produziu a vídeodança, e o mestrando em Filosofia pela UERJ Marcelo de Carvalho. O estudioso brasileiro e Poliquen trataram da obra do poeta Gaston Bachelard, para eles um excluído do mundo acadêmico e em cuja obra, segundo Marcelo, “se percebe a filosofia dos elementos cósmicos: fogo, terra, ar e água, imagens literárias ambíguas”. Já Jean-Luc, que mergulhou na vida de Bachelard através do contato com suas correspondências e com a filha do poeta, também fez algumas considerações sobre a crítica literária. Para ele, a poesia é um mistério que, em vão, a crítica literária, subordinada às leis de mercado, tenta elucidar. Assim, o próprio poeta se posiciona como crítico, fazendo e refletindo sua obra – assim como o próprio Jean-Luc fez, pois é poeta e crítico ao mesmo tempo.

Makarand centrou sua palestra na persistência do sagrado na poesia contemporânea indiana e explicou aos presentes o sentido de sua obra, “Confluências”. De acordo com ele, acredita-se na Índia que a confluência entre dois ou mais rios é sagrada, pois simboliza o instante em que duas partes se tornam somente uma e se transformam. A metáfora da água, para Paranjape, não é proposital: afinal, “a vida emerge da água e seu ciclo sugere a mudança do próprio ser humano”. Já Marly Bulcão discorreu sobre a poesia considerada por ela “energética, nervosa, primitiva e transgressora” do poeta Lautreamónt. Para ela, seus versos dinâmicos e vigorosos são a metáfora de um tempo estilhaçado e compõem um modelo de imaginação e de poesia muito presente no vídeo Passo a Passo – um paradigma corporal e livre e produtor.

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