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Impactos virtuais

O fascínio exercido pela literatura, pelo teatro e pelo cinema revela que a possibilidade de vivenciar outros tempos e espaços sempre foi muito atraente para as pessoas. O virtual, há tempos, desperta curiosidade, na medida em que permite aos indivíduos projetarem-se além de suas experiências diretas e presenciais.

 O fascínio exercido pela literatura, pelo teatro e pelo cinema revela que a possibilidade de vivenciar outros tempos e espaços sempre foi muito atraente para as pessoas. O virtual, há tempos, desperta curiosidade, na medida em que permite aos indivíduos projetarem-se além de suas experiências diretas e presenciais.

O advento da Internet potencializou de tal forma o acesso ao virtual que, hoje, para grande parte dos membros do ciberespaço, é inimaginável viver sem as praticidades proporcionadas por ele. A agilidade e a vastidão do mundo virtual facilitam a realização de uma série de atividades da ordem pessoal e profissional: nele, pode-se, simultaneamente, fazer compras, ir ao banco, trocar mensagens com amigos ou mesmo com desconhecidos, interagir com pessoas distantes, obter informações de forma mais rápida, além da infindável gama de opções de lazer que podem ser realizadas.

Uma das provas do sucesso da Internet é que, em 2004, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou que 16,6% dos domicílios brasileiros tinham computador, estatística relativamente alta para um país que integra a malfadada lista dos campeões mundiais em concentração de renda e desigualdades sociais.

Pierre Lèvy, filósofo que se dedicou à analise do ciberespaço, garante que, apesar de todos os impactos da Internet sobre a realidade física, as comunidades virtuais não serão capazes de substituir os contatos presenciais. Para esmiuçar melhor as mudanças trazidas pela Internet, o Olhar Virtual entrevistou Elizabeth Rondelli, professora da Escola de Serviço Social (ESS), especialista em Mídia e Cultura.

“O ciberespaço recria, simula e potencializa aquilo que fazemos presencialmente. Com isso, o virtual e o presencial ganham novas dimensões e se informam e se configuram mutuamente. O que fazemos presencialmente pode antes passar por definições que apreendemos no ciberespaço que, por sua vez, recria-se ou ganha novidades por aquilo que ocorre no mundo fora dele. A relação é mais de simbiose entre os dois mundos do que de substituição de um pelo outro.

Nas relações pessoais, o ciberespaço permitiu que nos tornássemos mais interativos, pois ofereceu muitas facilidades, na condição de mídia, de colocar as pessoas de lugares distantes em contato umas com as outras. Portanto, o nosso círculo de relacionamento certamente se ampliou, bem como a velocidade com que fazemos contatos pessoais.

Nas relações profissionais, o ciberespaço trouxe um fluxo de informação em quantidade e velocidade antes desconhecidas. Aliado a outros fatores, o impacto foi decisivo para potencializar a sociedade da informação que alguns tomam como um processo de tal ordem revolucionário que é comparado com a Revolução Industrial.

Mas temos que salientar que o ciberespaço ratifica a exclusão social. Se olharmos para o desenvolvimento e a expansão das antigas mídias, é difícil acreditar na universalização do acesso e popularização da rede. Mesmo que se garanta o acesso pleno à Internet, muitos não saberão ou não terão motivos para usá-la dadas as demandas (ou falta delas) postas pela suas vidas profissionais ou mesmo pessoais. Freqüentar o ciberespaço exige não apenas habilidades e competências para manejar o computador e utilizar os recursos da Internet como também curiosidade, interesse e necessidade de estabelecer interações e buscar informações. Portanto, para quem vive em um universo de exigências limitadas de participação e de necessidade de informação e conhecimento, o ciberespaço pode simplesmente não suscitar interesse”.