No dia 2 de abril, a Casa de Ciência da UFRJ realizou o debate Ciência ou Mitologia?, do projeto Ciência às Seis e Meia. A palestra, projeto da SBPC / RJ (Sociedade Brasileira para o Prograsso da Ciência), foi ministrada por Franklin Rumjanek, pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ.
A idéia do tema Ciência ou Mitologia? surgiu da intensa discussão, fora da comunidade científica, sobre evolucionismo e criacionismo. Com o intuito de por em ordem as informações que chegam ao público, Franklin mapeou aspectos mitológicos e sua relação com as ciências.
De início, esclareceu que os mitos criados para o surgimento da Terra e fenômenos naturais nada mais são do que tentativas de formular explicações para o mundo. O desejo por respostas também fez com que o ser humano fosse direto no ambiente que o cercava.
– Não surpreende que tentam explicar os fenomenos a partir do seu ambiente mais direto. Temos como um bom exemplo as mitologias nórdicas, que são povoadas por figuras relacionadas ao gelo e vulcões. Isso é exatamente como o meio onde eles vivem – explica o professor que ainda mostrou mitos aborígenas e siberianos.
Com essa proposição dos mitos, não é difícil imaginar que cenários comuns gerem mitos semelhantes. Os temas mais frequentes eram: caos, ciclos, ovos, obrigação da reprodução sexuada e surgimentos do nada. Como exemplo, tem-se os Egípcios com o mito de Re, que deu a luz a si mesmo e possui uma história cíclica.
Após passear rapidamente por conceitos mitológicos, Franklin retratou o pensamento de alguns filósofos que refletiram sobre a criação do mundo. Homero, importante divulgador do conhecimento politeísta, humaniza os deuses como intuito de difundir a mitologia. Figuras como Protágoras, Ludwig Feuerbach, Critias e Epicuro também foram lembradas.
Runjanek apontou ainda algumas controvérsias científicas em relação ao surgimento da Terra. Uma seria em relação a sua idade. Por volta do século XIX, chegou-se a afirmar que nosso planeta teria surgido apenas 4 mil anos antes de Cristo. Porém, com a descoberta da análise de fósseis e estratos de rochas, hoje sabe-se que a idade certa é 4,6 bilhões de anos.
A discussão terminou com as correntes científicas evolucionistas, como o Lamarkismo, Darwinismo e outras mais atuais.
Interessado no projeto? Mês que vêm tem mais!
O projeto Ciência às Seis e Meia é dirigido a todos que apreciem as ciências e tem interesse em conhecer questões e avanços científicos. Com uma linguagem leve, pode ser acompanhada por leigos sem qualquer dificuldade. O próximo encontro – Simplicidade, Complexidade, fractais e tudo isso – será dia 2 de maio e conta com a presença de Constantino Tsallis.
Mais informações no site www.casadaciencia.ufrj.br