Categorias
Memória

UFRJ apresenta crocodilo de 90 milhões de anos

Uma nova espécie de crocodilo foi apresentada ao público, nesta terça-feira, depois de sete anos de pesquisa realizada – em parceria com a FAPERJ – pelos professores Ismar de Souza Carvalho e Pedro Henrique Nobre, ambos do Departamento de Geologia da UFRJ. Os fósseis do Adamantinasuchus navae foram encontrados durante a construção de uma represa em Marília, Centro Oeste de São Paulo.

 Uma nova espécie de crocodilo foi apresentada ao público, nesta terça-feira, depois de sete anos de pesquisa realizada – em parceria com a FAPERJ – pelos professores Ismar de Souza Carvalho e Pedro Henrique Nobre, ambos do Departamento de Geologia da UFRJ. Os fósseis do Adamantinasuchus navae foram encontrados durante a construção de uma represa em Marília, Centro Oeste de São Paulo.
 
Segundo Willian Nava, coordenador do Museu de Paleontologia de Marília e responsável pela descoberta que leva seu nome, o fóssil, somente encontrado na região, revela aspectos da evolução dos crocodilomorfos e os fenômenos climáticos que culminaram na extinção dos dinossauros. A presença de características anatômicas até então desconhecidas pela ciência possibilita estudos comparativos desse grupo no mundo, principalmente, na América do Sul.
 
O microcrocodilo viveu no período Cretáceo Superior, a aproximadamente 90 milhões de anos, media 50cm de comprimento e pesava 10kg. A espécie descrita não tem relação evolutiva com as espécies atuais. Para o professor Ismar Carvalho, seu tamanho reduzido, focinho alto e curto e dentes molarizados, sugerem um predador, onívoro, terrestre, adaptado a um clima muito seco e que vivia em grupo. Provavelmente, o crocodilo desapareceu sem deixar descendentes, após a abertura dos oceanos e a separação dos continentes, quando o clima da Terra se tornou mais úmido.
 
O professor Emílio Barroso, chefe do Departamento de Geologia da UFRJ, acredita que descobertas como essa mostram a importância da universidade não só para a produção, como para a transmissão do conhecimento e entendimento da evolução da vida na Terra.
 
A cidade de Marília, inserida na região geológica da Bacia Bauru, é uma área de grande potencial paleontológico. Desde 1993, formações rochosas com grande diversidade de fósseis têm sido encontradas. O Adamantinasuchus navae é a segunda espécie descrita na região.