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UFRJ promove Jornada Giulio Massarani de Iniciação Científica

A UFRJ, através de colaboração entre a Pró-reitoria de Graduação (PR-1) e a Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR-2), deu início, no dia 7 de novembro, à Jornada Giulio Massarani de Iniciação Científica, Artística e Cultural 2006 (JIC). Primando pela promoção da interdisciplinaridade, o evento, que está na sua 28ª edição, almeja a troca de experiências entre docentes e estudantes e tenciona estimular o interesse pela pesquisa em alunos do ensino Médio e graduandos da universidade.


A UFRJ, através de colaboração entre a Pró-reitoria de Graduação (PR-1) e a Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR-2), deu início, no dia 7 de novembro, à Jornada Giulio Massarani de Iniciação Científica, Artística e Cultural 2006 (JIC). Primando pela promoção da interdisciplinaridade, o evento, que está na sua 28ª edição, almeja a troca de experiências entre docentes e estudantes e tenciona estimular o interesse pela pesquisa em alunos do ensino Médio e graduandos da universidade.

Até o dia 9 de novembro, os discentes apresentaram trabalhos, com exposição de painéis e sessões orais, nos diferentes centros da instituição. Esta edição da JIC computou 2813 trabalhos inscritos, o que representa um aumento de 13% em relação a 2005, e se destacou pela participação dos alunos não-bolsistas; 37% dos autores envolvidos na Jornada não estão vinculados aos programas de bolsa da universidade. Ademais, a JIC 2006 trouxe como novidade, em sua programação, a inclusão do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) como um centro independente dos demais, permitindo que unidades, como o Museu Nacional, por exemplo, pudessem dar maior visibilidade às suas produções acadêmicas.

Apesar de ser um evento trabalhoso, dadas as dimensões da UFRJ e a fragmentação existente entre as atividades universitárias, a JIC consolidou-se, ao longo dos anos, como um projeto integrador, que possibilita ao corpo social da universidade conhecer as pesquisas desenvolvidas nos laboratórios e salas de aula. Para Regina Dantas, superintendente da PR-2, a Jornada é decisiva também para o futuro dos alunos participantes: “A JIC oferece ao estudante do ensino Médio a oportunidade de vivenciar, na prática, a carreira que pretende seguir e dá ao aluno de graduação o privilégio de, já nos primeiros períodos do curso, ingressar na pesquisa e ter seu nome impresso em uma publicação”, afirma.
O evento, que serviu de modelo para projetos semelhantes em outras Instituições de Ensino Superior (IES), traz ainda benefícios para a própria universidade. “Os alunos aprendem a trabalhar o método científico, integram equipes de pesquisa e lidam com novas tecnologias; eles se desenvolvem e fazem a universidade avançar cientificamente”, considera Déia Maria, superintendente geral da PR-1.

A participação dos alunos
O melhor trabalho de cada centro será premiado, durante a cerimônia de encerramento, que ocorrerá no dia 30 de novembro, no auditório do Roxinho (CCMN), com a quantia de mil reais, pagos pela Fundação José Bonifácio (FUJB). Além do incentivo financeiro, os estudantes escolhidos terão a oportunidade de apresentar suas respectivas pesquisas na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A qualidade dos trabalhos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) promete uma disputa acirrada. Maristela de Souza, por exemplo, aluna do 8º período de Fonoaudiologia, dedicou-se a estudar as interações terapêuticas mais eficientes no tratamento dos diferentes graus de alteração disfágica. Andréia Oliveira, do curso de Biomedicina, pretende seguir a carreira de pesquisadora e, para tanto, começou a desenvolver o projeto de uma nova substância, extraída da glândula do carrapato, que possa se constituir em um inibidor da coagulação sanguínea, evitando assim o crescimento de tumores e metástases.

No Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), o nervosismo foi o principal entrave encontrado pelos jovens estreantes na JIC. Formada em Pedagogia, Daniele de Oliveira encara a inédita experiência no projeto como um dos maiores desafios de sua carreira. Embora tenha participado da edição 2005 do evento, Luan Barros, estudante de Psicologia, conta que a tensão é inevitável: “Você sempre fica nervoso, mas o resultado final é gratificante. Ouvir perguntas e réplicas é importante para aperfeiçoarmos nosso trabalho”, explica.

Para os discentes do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), a interação dos alunos com os professores facilita o desempenho na Jornada. Milene Alves, do Instituto de Economia (IE), estudou a mudança estrutural na indústria brasileira de 1996 a 2003 e assegura que o apoio de seu orientador, Carlos Leão Rocha, foi fundamental para o sucesso da apresentação. Já Fábio Roitman, também do IE, enfatiza que foi o seu orientador, João Saboya, quem o estimulou a participar da JIC: “Ele me convidou para participar do projeto de Pesquisa; a Jornada é o momento no qual devemos sintetizar os resultados obtidos com o nosso trabalho”, completa Fábio.

Os estudantes do Centro de Letras e Artes (CLA) entendem bem as possibilidades criadas pela JIC. Para Raquel Gomes, estudante do 7º período de Desenho Industrial (DI) e bolsista do Núcleo de Comunicação e Design, a experiência na Jornada lhe incentivou a buscar métodos de pesquisa até então desconhecidos. Já André Marinho, da Faculdade de Letras (FL), destaca que o evento oferece aos discentes a possibilidade de crescimento intelectual e pessoal: “A JIC situa o aluno nesse espaço acadêmico de publicações e pesquisas. A participação na jornada ajuda o aluno a se desenvolver intelectualmente e a melhorar como ser humano”, afirma André, que participa da JIC pela terceira vez consecutiva.

O Centro de Tecnologia (CT) também preparou trabalhos consistentes para a Jornada de Iniciação Científica, Artística e Cultural. A pesquisa desenvolvida por Raquel Macedo, do 6º período da Escola de Química (EQ), por exemplo, é sobre a simulação da produção do biodiesel através da Destilação Reativa (DR) e tem por objetivo demonstrar como é possível utilizar um combustível renovável, mais produtivo e barato que os de origem petrolífera. De acordo com ela, a participação do estudante em todo o desenvolvimento do projeto, e a aprendizagem do conteúdo e da metodologia são estímulos ao estudo. “Ver na prática a aplicação do que a gente aprende na sala de aula é uma das coisas mais importantes que uma universidade pode oferecer”, destacou.

Já Felipe Gomes, do Instituto de Macromoléculas (IMA), vinculado ao Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), desenvolveu um trabalho ligado à magnetohidrodinâmica (MHD), que estuda as interações entre o eletromagnetismo e a hidrodinâmica e teve como objetivo criar uma lente polimérica com foco controlado. O estudante é otimista quanto à participação na JIC: “A Jornada é um dos raros momentos onde um estudante entra em contato com tudo o que precisa para dar o ponta-pé inicial em sua carreira científica. Participar da JIC significa começar a construir o seu próprio trabalho”, ressaltou o aluno.