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Memória

Invasão da Faculdade de Medicina

A invasão do prédio da Faculdade de Medicina, na madrugada do dia 23 de setembro de 1966, pelas forças da ditadura, resultando em agressões a cerca de 600 estudantes e na depredação das instalações daquela unidade da UFRJ, marca um dos mais importantes momentos do enfrentamento popular ao regime implantado com o golpe militar de 1964 e da permanente luta da universidade por sua autonomia.

  

A UFRJ rememora, amanhã, um capítulo exemplar do vigor e da importância do movimento estudantil e da resistência democrática contra a ditadura: A invasão do prédio da Faculdade de Medicina, no dia 23 de setembro de 1966, pelas forças policiais, resultando na agressão a seiscentos estudantes, que lutavam pela autonomia da universidade e liberdades democráticas.
 
 Além das há muito conhecidas e fartamente documentadas arbitrariedades perpetradas pela ditadura, como censura e tortura, um fator que agitava a academia, em meados dos anos sessenta, era a iminente reforma universitária.
A modernização da universidade brasileira era uma necessidade. “O governo alegava também que o aperfeiçoamento não deveria ser feito num clima de liberdade de expressão devido à enorme influência marxista no meio universitário, que resultava no engajamento ”subversivo" contra qualquer influência americana”, relata Antônio Paes de Carvalho, à época professor de biofísica.
Havia ainda embates pela ampliação da representação discente nos colegiados, pela autonomia universitária, e pelo fim da cobrança de anuidades (estabelecida pela Lei Suplicy de Lacerda).
 Almir Fraga, decano do Centro de Ciências da Saúde – na ocasião, matriculado no sexto período do curso de Medicina – chegou às instalações da Faculdade Nacional de Medicina, no campus da Praia Vermelha, no início da tarde.
 “Eu era favorável ao movimento, mas não fazia parte das lideranças. No meio da tarde, começou a haver o cerco da PM, com a orientação de que se esvaziasse o prédio, e de que a ocupação era proibida”, acrescenta.

  

De madrugada, de 2h para às 3h, os policiais arrombaram a porta lateral e invadiram o prédio. “A maior parte das pessoas, que foi o meu caso, foi autorizada a sair e teve de passar por um corredor polonês. De vez em quando davam uma borrachada em um (os cacetetes eram de borracha). Fui para a casa e somente soube das reais conseqüências da invasão, depois pelo noticiário”, descreve o decano.
O dia ficou marcado como o Massacre da Praia Vermelha, mas, de acordo com Antônio Paes de Carvalho, o evento deve ser rememorado também pelos “atos de bravura (por vezes impensada) de uma juventude acostumada a respirar liberdade e que se via subitamente sufocada”.
De acordo com o reitor Aloísio Teixeira, “Foi um dia excepcional na história do movimento universitário daquela época. Os estudantes estavam começando a se organizar para lutar pelas liberdades e suas reivindicações”.

  

A UFRJ convida seus estudantes, funcionários e docentes a sacudirem o conformismo satisfeito dos dias atuais e resgatar um pouco das ousadas utopias daquela época. Amanhã, às 9h, no Auditório Prof. Rodolpho Paulo Rocco, no Bloco K, do Centro de Ciências da Saúde (CCS) será realizada a solenidade para rememorar a invasão da FNM. Completando o evento, às 18h30, haverá um show no Teatro de Arena da Praia Vermelha (no Instituto de Economia).