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Universidades em ação

No dia 22, os reitores de todas as universidades públicas federais do estado do Rio de Janeiro, juntamente com a direção do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – RJ (CEFET-RJ), se reuniram na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) para anunciar à imprensa sua ida à Brasília no dia 24, onde se reunião com a bancada parlamentar do estado em busca de apoio para melhorias nos orçamentos das instituições, que sofrem de déficits financeiros.

agencia2154T.gifNesta segunda-feira, dia 22 de agosto, os reitores de todas as universidades públicas federais do estado do Rio de Janeiro, juntamente com a direção do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – RJ (CEFET-RJ), se reuniram na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) para anunciar à imprensa sua ida à Brasília, quarta-feira, dia 24, onde se reunião com a bancada parlamentar do estado em busca de apoio para melhorias nos orçamentos das instituições, que sofrem, atualmente, de grandes déficits financeiros.

Estavam na coletiva o professor Aloísio Teixeira, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o professor Ricardo Motta Miranda, reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o professor Cícero Mauro Rodrigues, reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), a professora Malvina Tuttman, reitora da UNIRIO, e o professor Miguel Badenes Prades Filho, diretor geral do CEFET-RJ.

“Nós agradecemos a vinda de vocês, porque torna público o desejo, não só dos reitores, mas de toda a comunidade universitária e acadêmica, que deseja, de forma contundente, contribuir para diminuir as exclusões de todos os tipos da nossa sociedade”, disse a reitora da UNIRIO aos jornalistas presentes, dando início às entrevistas.

“Operamos um verdadeiro milagre”

Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ, ressaltou seu desapontamento em relação aos limites orçamentários anunciados pelo governo para 2006: “Quando olhamos os números apontados pela equipe econômica para as universidades federais, vimos claramente que não houve, na prática, nenhum crescimento no orçamento e que nós vamos enfrentar sérios problemas. Se não houver uma modificação deste quadro, teremos um déficit de mais de 41 milhões para as nossas despesas de custeio”, declarou o reitor, que também identificou nessas restrições financeiras uma incompreensão do papel das universidades na sociedade por parte daqueles que elaboram os orçamentos no país. “Temos sido submetidos, desde os anos 90 até o início de nossa década, a uma política educacional equivocada que reduziu os orçamentos das universidades e criou imensas dificuldades à manutenção da qualidade em que nós desenvolvemos nossas ações. No momento, nós operamos um verdadeiro milagre”, afirmou. Observe abaixo as tabelas com os dados referentes às situações financeira e do corpo social das instituições:

Tabela 1 – Situação financeira das instituições (valores aproximados)
2005
2006
Instituições
Orçamento
Déficit
Orçamento
Insuficiência Orçamentária
UFRJ
67 milhões
15 milhões
72 milhões
41 milhões
UNIRIO
5 milhões
5 milhões
14 milhões
8 milhões
UFF
30 milhões
8 milhões
36 milhões
17 milhões
UFRRJ
13,7 milhões
4 milhões
17 milhões
8 milhões
CEFET-RJ
9 milhões
10 milhões
3 mil

 

Tabela 2 – Situação de pessoal das instituições (valores aproximados)
2005
Instituições
Professores
Déficit
Funcionários
Déficit
UFRJ
3100
500
9000
1500
UNIRIO
548
100
1053
200
UFF
2466*
300
4125*
1000
UFRRJ
600
103
1200
375
CEFET-RJ
464
150
* dados referentes a 2004

Concordando com a fala dos reitores, o professor Ricardo Miranda, reitor da UFRRJ, ressaltou que os problemas que os dirigentes das instituições federais de ensino superior têm de enfrentar estão diretamente ligados ao orçamento e aos recursos disponíveis para a execução financeira, mas esse não é o único problema. “Algumas das IFES têm unidades universitárias dentro de um programa de expansão do governo, e estamos nos comprometendo com a sociedade em abrir novas vagas e iniciar novos cursos em outros locais fora da sede. Isso nos causa uma preocupação razoável, tendo em vista que não está previsto para o orçamento de 2006 os recursos que estão compromissados para com esta expansão. E a nossa preocupação, obviamente, é intrinsecamente ligada à questão financeira, mas nós temos outros problemas, especialmente em relação às vagas”, disse o professor. Segundo ele, cada uma das unidades e instituições refletiria um déficit extremamente significativo do ponto de vista de vagas de docentes, de técnicos administrativos e, para aqueles casos de expansão iniciados em 2005, das vagas de expansão.

Orçamentos são considerados insuficientes

Chamando a atenção para o grande contingente de alunos inadimplentes em faculdades particulares, o reitor da UFF, Cícero Rodrigues, explicou a importância de maiores investimentos em instituições de ensino públicas e gratuitas: “Nós temos uma responsabilidade, nossa e da nação, de exigir um ensino superior de qualidade, que nossos jovens possam ir para as universidades públicas. É preciso que, em nosso país, diante da situação econômica que temos hoje, haja um investimento maciço nas instituições públicas. Não só nas federais, mas também nas estaduais e municipais. Vivemos atualmente esse drama, que queremos partilhar com a sociedade. Estamos mobilizando os parlamentares do estado do Rio de Janeiro, e esperamos que os outros estados também mobilizem suas bancadas, para tentar reverter essa situação”.

O professor Miguel Filho, diretor geral do CEFET-RJ, também expôs seus problemas orçamentários, além de outras questões estruturais. “Por ser uma instituição entre as menores aqui da mesa, sofre também com a falta de orçamento, mas principalmente com o quadro limitado de professores, devido à aposentadoria excessiva dos últimos anos e a não contratação de professores. Temos, no momento, uma situação particular do CEFET-RJ: um número limitado de vagas e autorização para contratar, mas nos faltam condições para fazê-lo”, lamentou o professor, afirmando que as restrições financeiras estão dificultando os programas de expansão da instituição.

Para encerrar a reunião, a reitora da UNIRIO fez um último agradecimento aos presentes. “Eu gostaria de acrescentar que a presença da mídia, atendendo ao convite das instituições federais do Rio de Janeiro, certamente mostra seu comprometimento para com a divulgação, juntamente com as universidades, da importância do que está sendo discutido. Estamos discutindo a educação pública no Brasil, o que é fundamental no processo de reversão do quadro atual”, disse a professora.

A reunião dos dirigentes das instituições de ensino superior público será amanhã, no dia 24 de agosto, às 9:00h, no Congresso Nacional (Brasília).