A UFRJ brilhou na edição de 2025 dos prêmios da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (Sbmac), conquistando o primeiro lugar em duas das categorias mais importantes: iniciação científica e mestrado. As vitórias reforçam o papel de liderança da instituição na formação de novos talentos e no desenvolvimento de estudos de ponta. Na categoria de iniciação científica, o grande vencedor foi o estudante Antonio Martins Sasaki, que recebeu o cobiçado Prêmio Beatriz Neves. O trabalho, intitulado “An extension of Kac’s lemma for Furstenberg’s ergodic multiple recurrences”, em português “Uma extensão do lema de Kac para as recorrências múltiplas ergódicas de Furstenberg”, foi orientado pela professora adjunta no Instituto de Matemática da UFRJ Jaqueline Siqueira Rocha e por Alexander Eduardo Arbieto Mendoza, professor da UFRJ e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Terceiro Mundo (TWAS).
Antonio, que se formou na UFRJ no início de 2025, disse que foi uma honra gigantesca ter ganhado o prêmio, especialmente porque a professora Beatriz Neves, que dá nome à premiação, foi docente do Instituto de Matemática da UFRJ, sua instituição de origem. Já no mestrado, o Prêmio Clóvis Caesar Gonzaga ficou com Gabriel Oliveira da Ponte, também da UFRJ, pelo trabalho “On the computation of sparse reflexive generalised inverses”, em português “Sobre o cálculo de inversos generalizados reflexivos esparsos”. A pesquisa, orientada por Márcia Helena Costa Fampa e Jon Lee, contribui para o avanço de métodos computacionais em álgebra linear. As premiações, que avaliam trabalhos produzidos entre abril de 2024 e março de 2025, representam o resultado de um processo rigoroso de seleção, com critérios que incluem relevância, inovação e consistência científica. Os prêmios são anuais e, para Antonio, o da Sbmac é o maior deles para teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso na área de Matemática Aplicada.
A pesquisa premiada e a experiência internacional
O trabalho de Antonio Sasaki, que foi seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na UFRJ e também na França, é a continuação de uma pesquisa que ele vinha desenvolvendo desde o início da graduação. Essa pesquisa foi sugerida por sua orientadora, Jaqueline, e trata da teoria ergódica, um tema que lhe interessava desde que ganhou uma bolsa da Faperj. O estudo amplia um importante resultado da Matemática, o lema de Kac, para analisar situações mais complexas em que vários eventos se repetem de forma coordenada em sistemas dinâmicos, contribuindo para a compreensão teórica de fenômenos recorrentes.
Em 2022, ele ganhou uma bolsa do governo francês para terminar sua graduação e fazer um mestrado na França. Ele conta que o programa de dupla graduação da UFRJ facilitou a oportunidade, permitindo que ele participasse ativamente de entrevistas e análises de currículo na França. Essa experiência reforçou a percepção de que a pesquisa na UFRJ é de alto nível, uma vez que o currículo da Universidade, especialmente o do Instituto de Matemática, prepara os alunos para um duplo diploma no exterior. “Uma das coisas que a minha experiência internacional me permitiu perceber é que a qualidade da pesquisa na UFRJ é do mesmo nível ou até melhor que a de instituições europeias”, afirma.
Incentivo à ciência e o protagonismo da UFRJ
Apesar do talento e das conquistas, Antonio ressalta que a ciência brasileira ainda enfrenta desafios significativos devido à falta de incentivo governamental. Diferentemente da França, onde pesquisadores têm contratos formais e direitos trabalhistas, no Brasil as bolsas não têm a mesma estabilidade ou reconhecimento social. Para ele, um bom pesquisador brasileiro pode competir em nível internacional, mas é fundamental que o Governo invista mais em infraestrutura, financiamento e valorização da ciência, garantindo que o talento local não seja desperdiçado e que a pesquisa nacional tenha o destaque que merece. “Um bom aluno brasileiro é um bom aluno em qualquer lugar do mundo, mas é necessário mais financiamento, infraestrutura adequada, reconhecimento social. É preciso acabar com a ‘síndrome de vira-lata’, que faz com que os brasileiros subestimem o próprio trabalho”, defende.
As conquistas de Antonio Martins Sasaki e Gabriel Oliveira da Ponte, na edição 2025 dos prêmios da Sbmac, reforçam não apenas a excelência da UFRJ na formação de pesquisadores, mas também o protagonismo da instituição no cenário nacional e internacional da Matemática Aplicada. Ao premiar trabalhos de alto impacto, a Sbmac celebra o talento, a dedicação e a capacidade inovadora dos estudantes brasileiros, mostrando que a pesquisa científica do país tem potencial para competir em pé de igualdade com grandes centros acadêmicos do mundo. Com esses reconhecimentos, a UFRJ reafirma seu compromisso em oferecer educação de ponta, estimular novas ideias e contribuir de forma decisiva para o avanço da ciência e da tecnologia no Brasil.
Sob a supervisão da jornalista Vanessa Almeida
