Entre 2018 e 2025, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) perdeu 1.300 bolsas de mestrado e doutorado subsidiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A Universidade é a segunda do país em número de Programas de Pós-Graduação (PPGs) de excelência – avaliados com nota 6 ou 7 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), angariando cerca de ¼ do financiamento da Universidade de São Paulo (USP), a primeira colocada no ranking. Ainda assim, a quantidade de bolsas de pós-graduação disponíveis é insuficiente para atender aos programas de excelência.
As novas regras de concessão de bolsas da Capes, anunciadas em março de 2025, agravam essa crise. Os parâmetros atuais consideram a nota e o nível do curso de mestrado ou doutorado e são ponderados por dois fatores: o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), para direcionar um número maior de benefícios para cursos ofertados em municípios com menor desenvolvimento humano, e a Titulação Média dos Cursos (TMC) — de dois anos para o mestrado ou de quatro anos para o doutorado —, cujo intuito é estimar o tamanho dos cursos.
Como o Rio de Janeiro tem um IDHM relativamente alto (0,799), há uma queda do multiplicador para a UFRJ. Apenas neste ano, houve uma redução de 106 bolsas Capes destinadas à Universidade somente no Programa de Excelência Acadêmica (Proex).
“Cria-se um ciclo vicioso em relação à concessão de bolsas CNPq e Capes, no qual a redução de bolsas CNPq diminui a entrada de novos alunos. Com menos alunos, há menos egressos (as chamadas “defesas”), o que ocasiona mais uma queda do multiplicador Capes para a UFRJ – e, consequentemente, menos bolsas no ciclo seguinte. O resultado é uma redução ainda maior da capacidade de formar pesquisadores”, explicou o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), João Torres de Mello Neto, em reunião do Conselho de Ensino para Graduados (CEPG), órgão deliberativo responsável pelas diretrizes didáticas e pedagógicas dos cursos de pós-graduação.
Para contornar o problema, a PR-2 identificará os programas com nota 6 e 7 mais prejudicados com a queda do número de bolsas CNPq e, temporariamente, atribuirá um peso maior a eles na próxima distribuição de bolsas. “Esse é um problema que nos diz respeito. Nós não queremos que os PPGs mais bem avaliados da UFRJ caiam de posição ou tenham dificuldades operacionais extremas, como vem acontecendo”, afirmou o pró-reitor.
