Categorias
Meio Ambiente

Cultivo de algas como aliado da Lagoa de Marapendi

Da absorção de poluentes ao potencial econômico, são muitas as vantagens da algicultura na região

Pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) iniciaram um estudo para reduzir a carga de poluentes na Lagoa de Marapendi, que faz parte do complexo de lagoas da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A ideia é cultivar algas do gênero Cladophora para absorção de nutrientes e poluentes em um processo chamado de biorremediação – técnica que utiliza micro-organismos, plantas e enzimas para remover poluentes de solos e águas.

A equipe do IB, composta pelos pesquisadores Aline Cunha, Cristiane Thompson, Fabiano Thompson, Felipe Landuci e Marcelo Pontes, conta com o apoio do biólogo marinho Domingos Sávio, da Secretaria de Pesca de Paraty, que já tem experiência no cultivo de algas na região sul-fluminense, e de Renata Rocha, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) do Rio de Janeiro. Ela é gestora do Parque Natural Municipal (PMN) de Marapendi.

As algas do gênero Cladophora têm a estrutura filamentosa e ramificada; graças ao formato, elas ocupam grande área de superfície para absorção de nutrientes e poluentes, sendo muito eficazes na biorremediação. Segundo Rocha, o projeto visa ajudar na restauração da saúde hídrica da lagoa.

“A utilização de uma alga nativa como biorremediação é bastante promissora. A Cladophora chegou como uma protagonista que tem alta capacidade de bioacumulação, crescimento rápido e abundante, além de ter resistência em condições adversas. A pesquisa da UFRJ também visa ao monitoramento da água, assim como à avaliação do crescimento da alga e ao desenvolvimento de projetos de educação ambiental com visitas às unidades demonstrativas das algas (balsas)”, explica a gestora.

De acordo com o professor Fabiano Thompson, outra vantagem para o cultivo das algas é a possibilidade de desenvolver uma atividade econômica na região. “Hoje, o custo de 1 quilo de algas está em torno de 5 reais. São várias as utilizações que podem ser dadas para elas, desde o uso para produção de fertilizantes quanto para aproveitar o extrato da Cladophora para produção de insumos com grande potencial biotecnológico”, esclarece ele.


Pesquisadores do Instituto de Biologia estudam como para reduzir a carga de poluentes na Lagoa de Marapendi, no complexo de lagoas da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio | Foto: Sidney Coutinho

Na primeira quinzena de março, a primeira das três balsas previstas para o projeto foi montada pelos estudantes de Biologia da UFRJ. Cada uma tem 25 metros de extensão por 3 metros de largura. Elas ficarão flutuando no espelho d’água. “Ainda estamos definindo o ciclo de monitoramento para avaliar vários aspectos, que vão do crescimento das algas até o quanto elas capturam das águas fósforo e nitrogênio”, conta Cunha.

Segundo o professor Felipe Landuci, está em andamento a negociação, com a prefeitura do Rio de Janeiro, de ampliação do projeto, com a colocação de balsas em outras lagoas cariocas, como a Rodrigo de Freiras e a de Jacarepaguá. “Precisaremos fazer um pré-teste para avaliar se faremos o manejo das balsas em um intervalo entre 15 e 20 dias. Vamos retirar a biomassa, aferir o peso, a taxa de crescimento e a quantidade de nutrientes absorvidos pelas algas. Também faremos o monitoramento da qualidade da água ao redor, avaliando a turbidez e o oxigênio presente, por exemplo.”