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Leishmaniose: novo tratamento para humanos e animais

Iniciativa foi proposta em parceria com outras Ifes

É possível que muitos brasileiros que possuam cães em casa e se preocupem com seus animais de estimação já tenham em algum momento ouvido falar sobre a leishmaniose. Infelizmente também é provável que nem todos saibam quais os reais perigos que essa doença − ou grupo de doenças − pode representar não só para os bichos, mas também para os humanos.

Com o intuito de desenvolver uma nova proposta terapêutica para o tratamento da leishmaniose a ser empregado nas áreas humana e veterinária, um grupo composto por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Instituto de Tecnologia e Pesquisa, da Universidade de Sorocaba, da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Tiradentes somou esforços e desenvolveu a tecnologia Processo de preparação de um complexo de inclusão no tratamento da leishmaniose. A invenção se encontra protegida por um pedido de patente realizado pela Agência UFRJ de Inovação ao INPI e atualmente está disponível para licenciamento.

A formulação proposta pela equipe melhora as características biofarmacêuticas do ativo e favorece a liberação controlada. Segundo André Santos, professor do Instituto de Microbiologia Paulo de Goés, a pesquisa buscou criar um medicamento mais seguro: “O trabalho tem como objetivo encontrar novas propostas para o tratamento da leishmaniose, pois os medicamentos utilizados atualmente são extremamente tóxicos, o que gera muitas complicações ao paciente. Assim sendo, são necessárias novas opções terapêuticas mais viáveis, baratas e menos tóxicas”.

O produto desenvolvido buscou melhorar a eficácia do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. “Numa tentativa de minimizar ainda mais os possíveis efeitos colaterais, desenvolvemos uma formulação que permite a liberação controlada desse fármaco”, afirmou Santos.

Sobre a doença

Ao contrário de enfermidades mais conhecidas, a causa da leishmaniose não é um vírus nem uma bactéria, mas protozoários do gênero Leishmania. Sua transmissão ocorre por meio da picada do inseto popularmente conhecido como mosquito-palha e suas manifestações variam de lesões ulceradas simples e autolimitadas na pele a uma doença visceral com manifestações graves.

No caso da leishmaniose cutânea, os sintomas podem variar segundo o tipo de parasita transmitido pela picada do mosquito e as condições imunológicas da pessoa. O primeiro sinal costuma ser uma ou várias lesões, quase sempre indolores, na pele. Inicialmente, são feridas pequenas, com fundo granuloso e purulento e bordas avermelhadas, que vão aumentando de tamanho e demoram para cicatrizar. Também podem ocorrer metástases, nas mucosas da nasofaringe, que destroem a cartilagem do nariz e do palato, provocando deformações graves. Ainda mais perigosa, a leishmaniose visceral, por sua vez, é uma zoonose de evolução crônica, com acometimento sistêmico e que, se não tratada, pode levar a óbito em até 90% dos casos.

É importante ressaltar que a leishmaniose não é uma doença contagiosa e não se transmite diretamente de uma pessoa para outra, de um animal para outro, nem dos animais para as pessoas. A transmissão do parasita ocorre apenas pela picada da fêmea infectada, de modo que o principal método de combate à doença são os cuidados para evitar a proliferação do transmissor. Ou seja, os mesmos métodos sanitários e de higiene empregados no combate ao Aedes aegypti (vetor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela).

Santos conta que o  esforço conjunto das Ifes foi essencial para realizar um trabalho importante para a saúde pública e a ciência.  “A pesquisa evidencia uma salutar colaboração com o objetivo de gerar conhecimento que possa ser transferido à sociedade, na forma de um novo produto”, conclui.