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Museus da UFRJ integram programação da 20ª Primavera dos Museus

Com o tema “Museus para todas as pessoas”, o evento acontece até 27/9 e reúne atividades voltadas à ciência, memória, patrimônio e inclusão

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) participa da 20ª Primavera dos Museus, realizada entre os dias 21 e 27/9 em instituições museológicas de todo o país. Promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a edição deste ano tem como tema “Museus para todas as pessoas” e amplia o debate sobre acesso, inclusão, diversidade, pertencimento e direito à memória.

Na UFRJ, a programação reúne diferentes espaços e aproxima a sociedade de acervos, pesquisas e iniciativas de divulgação científica. Entre os participantes, estão o Museu Nacional, o Museu Interativo da Física, do Ladif, além do ente museal Vivo Mar,  o Museu da Escola Politécnica da UFRJ, o Museu de Anatomia “Por dentro do Corpo”, do Instituto de Ciências Biomédicas, e o Observatório do Valongo. Essas instituições preservam parte da história científica e cultural do país e mantêm atividades voltadas à aproximação entre universidade e sociedade.

Para Christine Ruta, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, a Primavera dos Museus representa uma oportunidade de reafirmar o caráter público desses locais. “A Primavera dos Museus é uma oportunidade importante para reafirmarmos o papel público dos museus e da própria universidade”, afirma.

A participação da UFRJ é ainda mais especial nesta edição, porque acontece no mês em que se completam oito anos do incêndio que atingiu o Museu Nacional, em 2/9/2018. Nesse contexto, a reconstrução da instituição ganha também uma dimensão relacionada à preservação da ciência e da memória. “A reconstrução do Museu Nacional não é apenas uma obra física: ela representa um compromisso público com a ciência, a memória e o direito da sociedade de acessar esse patrimônio”, destaca Christine.

A coordenadora ressalta, ainda, que a recuperação do Museu Nacional depende da mobilização contínua do poder público e da sociedade. Nesse processo, preservar a instituição significa também garantir sua permanência como espaço de produção, preservação e difusão do conhecimento para as próximas gerações.

A Primavera dos Museus também contribui para ampliar a visibilidade de outros espaços da Universidade. “É um convite para que a sociedade conheça melhor os demais espaços museais da UFRJ e descubra a riqueza que existe dentro da Universidade”, completa Christine.

Museu Nacional

O Museu Nacional participa da programação em um momento marcado pelas ações de reconstrução e pela retomada do contato direto com a sociedade. Localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, o museu mantém exposições gratuitas que apresentam parte de suas atividades científicas e do processo de recuperação da instituição.

As exposições “Bastidores da Ciência” e “Rescaldo das Memórias” permanecem em cartaz até 25/10. A temporada foi prorrogada após as mostras receberem mais de 80 mil visitantes.

“Bastidores da Ciência” apresenta técnicas e práticas que fazem parte do cotidiano de um museu de ciências, como restauração, paleoarte, modelagem digital, taxidermia, ilustração científica e conservação de acervos. A mostra também apresenta instrumentos musicais produzidos pelo luthier Davi Lopes a partir de madeiras resgatadas do incêndio, além de achados arqueológicos e acervos científicos doados pelo Museu Sueco de História Natural.

A programação contou também com o evento “Visita Mediada e Conversa com Especialista”, realizado na quarta-feira (23), às 15h30, com o tema “Arqueologia do Paço”. A atividade teve a participação do arqueólogo e professor Marcos André Torres de Souza.

Já “Rescaldo das Memórias”, do artista Vik Muniz, reúne fotografias e esculturas produzidas a partir de cinzas e fragmentos de peças resgatadas do Palácio de São Cristóvão. Instalada na sala onde teve início o incêndio de 2018, a exposição incorpora à experiência do visitante elementos do próprio edifício, como vigas de aço retorcidas pelo fogo, e propõe reflexões sobre perda, memória e reconstrução.

A programação inclui ainda a Musaeum: a literatura egípcia ao alcance de todos, biblioteca digital e bilíngue desenvolvida a partir de pesquisa acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do Museu Nacional. A iniciativa transforma contos do Egito Antigo em uma experiência de leitura interativa, com capítulos, desafios, hieróglifos e notas arqueológicas.

A participação na Primavera dos Museus integra o movimento de reaproximação entre a instituição e a sociedade, enquanto avançam as obras de recuperação do Palácio de São Cristóvão. O museu também prevê ampliar as ações educativas e o atendimento a grupos escolares e projetos sociais. A atual configuração do canteiro de obras permite a manutenção das exposições abertas ao público, enquanto as principais frentes de trabalho estão concentradas em outras áreas do palácio.

Museu Interativo da Física

O Laboratório Didático do Instituto de Física (Ladif) também participa da programação do evento. O espaço é dedicado à divulgação científica e ao ensino de Física por meio de experimentos interativos, aproximando conceitos científicos do cotidiano dos visitantes. Durante a 20ª Primavera dos Museus, a instituição recebe o público para visitas mediadas até o dia 25/9, das 10h às 16h. A atividade permite conhecer os experimentos e fenômenos físicos apresentados pelo espaço. 

Ente museal Vivo do Mar

Outra instituição da UFRJ participante da Primavera dos Museus é o ente museal Vivo do Mar, vinculado ao Programa de Extensão Tecnologia Social e Ciências do Mar (TSCM), do Nides/UFRJ. O projeto desenvolve uma programação dedicada às culturas pesqueiras artesanais da Baía de Guanabara.

A exposição “Pesca Artesanal da Baía de Guanabara” reúne fotografias, registros audiovisuais, apetrechos de pesca, embarcações, ferramentas, mapas, instalações artísticas e recursos interativos. A proposta é apresentar a Baía de Guanabara a partir das experiências de quem vive, trabalha e produz conhecimento no território. 

A mostra também busca estimular a participação dos visitantes. Entre as atividades, está o jogo “Como se pesca? Onde se pesca?”, que relaciona modalidades de pesca artesanal a diferentes regiões da Baía de Guanabara. Outro recurso é o totem interativo “Nós que Atam”, que permite conhecer e experimentar nós tradicionalmente utilizados na marinharia. 

A programação inclui ainda o núcleo fotográfico “Nós somos os olhos da Baía de Guanabara” e a instalação “Meu sonho é pescar mais peixe do que lixo”, que trata sobre a poluição marinha e a chamada ‘pesca fantasma’, provocada por equipamentos de pesca perdidos, abandonados ou descartados no ambiente. 

A exposição passa por diferentes espaços, incluindo o Hangar Náutico da UFRJ, na Cidade Universitária, além de espaços ligados às comunidades pesqueiras. O projeto também realizou o II Encontro do Museu Vivo do Mar, em 21/9, como parte do processo participativo de construção do Plano Museológico.

Museu da Escola Politécnica

Nesta edição do evento, o museu da Escola Politécnica preserva a história da engenharia e da formação científica e tecnológica no Brasil, reunindo objetos e documentos que contam parte da trajetória da instituição e da engenharia brasileira. O espaço apresenta a exposição “As Pioneiras da Poli”, que resgata histórias de mulheres que desafiaram os padrões de seu tempo e abriram caminhos para outras mulheres na engenharia. A mostra está localizada no Centro de Tecnologia da UFRJ, no Bloco A, segundo andar, e pode ser visitada das 9h às 16h.

Museu de Anatomia “Por Dentro do Corpo”

O Museu de Anatomia “Por Dentro do Corpo”, da UFRJ, nesta edição da Primavera dos Museus, aproxima o público do conhecimento sobre o corpo humano por meio de um acervo formado por peças anatômicas reais, incluindo órgãos e sistemas, além de modelos didáticos, exposições fotográficas e recursos virtuais. O espaço participa da programação até o dia 27/9, com atividades de visitação e conteúdos interativos voltados ao aprendizado de Anatomia. O museu está localizado no subsolo do Bloco F, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), na Cidade Universitária.

Observatório do Valongo

No Morro da Conceição, na região central do Rio de Janeiro, o Observatório do Valongo convida o público a conhecer a história da Astronomia no Brasil e a relação entre instrumentos científicos, pesquisa e observação do céu.

Para Rundsthen Nader, astrônomo do Observatório do Valongo, iniciativas como a Primavera dos Museus contribuem para transformar a curiosidade sobre o Universo em uma experiência de contato direto com a ciência.

“Quando trazemos o público para conhecer o nosso museu através de uma iniciativa como a Primavera dos Museus, estamos proporcionando que eles tenham contato com instrumentos e técnicas utilizadas por astrônomos para desvendar o comportamento dos astros”, explica.

Observatório do Valongo | Foto: Aní Coutinho (SGCOM/UFRJ)

Segundo Nader, a iniciativa também aproxima os visitantes dos pesquisadores e apresenta a Astronomia como uma atividade desenvolvida por pessoas movidas por perguntas e curiosidades sobre o Universo.

“O nosso museu é uma aula de história da Astronomia no Brasil, em um observatório onde se produz conhecimento e ele é difundido para todos e todas”, afirma.

A proposta, acrescenta o astrônomo, é que a experiência desperte no visitante o interesse em retornar ao espaço e conhecer mais sobre a área. “O nosso objetivo é que nossos visitantes tenham um contato com o trabalho de um astrônomo, se encantem e descubram como a Astronomia evoluiu sua compreensão do Universo utilizando instrumentos que evoluíram através do tempo”, diz.

Para Nader, a visita deve ir além da transmissão de informações. A expectativa é que o contato com o observatório contribua para ampliar a compreensão sobre a importância do conhecimento científico e estimule o interesse pela Astronomia, levando os visitantes a compartilhar a experiência e buscar novos conhecimentos.

Por Ana Clara Ferreira. Com a supervisão da jornalista Pâmella Cordeiro