Entre os dias 26/7 e 1/8, a Universidade Federal Fluminense (UFF) recebeu, no campus Gragoatá, em Niterói, um grande evento de difusão e fortalecimento de diversos âmbitos de pesquisa e inovação, sem abrir mão da relação com a comunidade. Com o tema “Ciência para Todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) reuniu pesquisadores, estudantes e gestores públicos para discutir alguns dos principais desafios do país. Na ampla programação estavam conferências, mesas-redondas, painéis, minicursos, sessões de pôsteres, exposições e atividades culturais, além de espaços como a ExpoT&C e a SBPC Jovem, voltados a expandir a divulgação científica e aproximar a universidade da sociedade.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro participou de diferentes frentes do evento com pesquisadores convidados para a programação científica, dentre os quais se destaca Lígia Bahia, professora titular da Faculdade de Medicina (FM), e a pró-reitora de extensão, Ivana Bentes. Estudantes de graduação, iniciação científica e pós-graduação também puderam apresentar trabalhos na Sessão de Pôsteres e na Jornada Nacional de Iniciação Científica (JNIC), ainda com a oportunidade de tê-los publicados em livro eletrônico a partir do próximo ano. Para além disso, a Universidade ainda contou com dois estandes dedicados à divulgação da produção acadêmica e científica desenvolvida na instituição, que estiveram nas áreas da ExpoT&C e SBPC Jovem.

A ExpoT&C consistiu em uma mostra de ciência, tecnologia e inovação que integrou a programação da 78ª Reunião Anual da SBPC. Reunindo universidades, institutos de pesquisa, agências de fomento, entre outras instituições, o objetivo do espaço era apresentar ao público tecnologias, pesquisas, produtos e serviços desenvolvidos em diferentes áreas do conhecimento. Como participante da empreitada, a UFRJ montou um estande organizado conjuntamente pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) e Pró-Reitoria de Extensão (PR-5), bem como pelo Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e pela Inovateca. A proposta era reunir projetos de ensino, pesquisa e extensão que refletissem a diversidade da produção acadêmica.
Entre os destaques, o lançamento da quarta edição impressa da Revista Minerva – iniciativa de divulgação científica da Universidade – e a apresentação do foguete Hemera, desenvolvido pela equipe de engenharia Minerva Aeroespacial. Além disso, o público também pôde participar de experiências imersivas em realidade virtual promovidas pela mostra VR Metaversidade.
Já a atuação da UFRJ na SBPC Jovem contou com a coordenação exclusiva do Fórum de Ciência e Cultura. Com programação voltada especialmente para estudantes e professores da educação básica – aberta também para famílias e demais interessados em ciência – desde 1993, o espaço promove atividades gratuitas e interativas a fim de despertar o interesse de crianças e jovens pela ciência e tecnologia. O estande da UFRJ apostou em experiências que permitiram ao público aprender por meio da interação, como o Elevador do Tempo Profundo, instalação sobre a evolução geológica da Terra idealizada por alunos do curso de extensão em Ensino de Geologia e Paleontologia do Instituto de Geociências (Igeo/UFRJ).

Entre as atividades que chamaram a atenção do público estava o projeto de extensão Comida é Patrimônio, desenvolvido pelo Instituto de Alimentação e Nutrição (IAN) do Centro Multidisciplinar de Macaé e pelo Instituto Nutes de Educação em Ciências e Saúde (Nutes), em parceria com o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN). Nele, os interessados podiam conhecer a diversidade da cultura alimentar brasileira a partir dos territórios e dos saberes tradicionais.
Ciência para todos: aproximando pesquisa e sociedade
Entre os representantes da UFRJ na programação científica, estava a professora Lígia Bahia, que participou da mesa-redonda Saúde nas Plataformas Eleitorais em 2026 e da conferência A Saúde Global em um Mundo em Transformação, entre outras atividades. Para a pesquisadora, além dos debates científicos, um dos maiores méritos da Reunião Anual da SBPC é aproximar a ciência da sociedade, especialmente de crianças e jovens. Segundo ela, o contato com pesquisadores e instituições desperta a curiosidade científica desde cedo e contribui para formar futuras gerações de cientistas. “A gente está aqui num espaço totalmente público, totalmente gratuito – é importante que se diga isso –, com pais, mães, crianças, professores e professoras. Esse é um evento raro, que acontece uma vez ao ano. Mas quando acontece evidencia esse potencial de a gente estar mais junto das populações”, defendeu a professora da FM.

A coordenadora do FCC, Christine Ruta, compartilha da mesma visão. Para ela, o encontro é uma oportunidade de aproximar a produção científica da sociedade, tornando mais acessíveis pesquisas que, muitas vezes, permanecem restritas aos ambientes acadêmicos. De acordo com Ruta, espaços como a SBPC Jovem permitem que crianças e jovens conheçam de perto temas como arte rupestre, Egito Antigo e astrofísica, assim como os pesquisadores responsáveis pelas pesquisas. “Esse contato humano é muito importante porque sai um pouquinho da escola, onde você aprende letras e números, e fica um pouquinho distante de onde se faz ciência realmente. Aqui é uma espécie de ponte, onde a gente pode estar conectando nossos professores, técnicos e estudantes da Universidade. É muito importante também que o nosso público aprenda a fazer, de uma maneira mais acessível, a linguagem científica e cultural”, explicou a coordenadora.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, acompanhou as iniciativas da instituição na SBPC. Para ele, essas participações fortalecem o vínculo entre ciência e sociedade, principalmente porque permitem despertar o interesse de crianças e jovens pelo ensino superior. Segundo ele, muitos estudantes do ensino médio enxergam a UFRJ como um projeto de futuro. “O aluno do ensino médio no Rio de Janeiro tem um sonho de estudar na UFRJ. Digo isso porque a gente faz o Festival do Conhecimento mostrando a UFRJ para eles, e vão mais de 6 mil alunos do ensino médio. Eles ficam maravilhados com os cursos de graduação que nós temos. (…) O ecossistema educacional da UFRJ faz com que nós formemos cidadãos éticos, compromissados socialmente e, obviamente, tecnicamente”, defendeu o reitor.
Se os adolescentes têm esse desejo, Lígia Bahia acredita que começar a fortalecer essa aproximação mais cedo é ainda mais interessante. Para ela, é justamente na infância que costumam nascer as vocações científicas. “Toda criança que vier aqui vai ter uma curiosidade científica despertada. Em algum momento, todos nós decidimos estudar alguma coisa, e esse momento normalmente acontece quando temos 7, 8 ou 9 anos”, destacou.
