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UFRJ leva para a Rio Innovation Week tecnologias que aproximam ciência e sociedade

Estande da Universidade reúne projetos em diversas áreas, com aplicação em educação, indústria, perícia, acessibilidade e transporte urbano

Quem visita o estande da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Rio Innovation Week 2026 até 7/8, no Pier Mauá, encontra um retrato da diversidade de projetos desenvolvidos na instituição. Em um mesmo espaço, convivem robôs humanoides, simuladores industriais, filmes em realidade virtual, tecnologias à base de algas, inteligência artificial, mobilidade urbana e ciência forense. Mais do que apresentar protótipos, a proposta é evidenciar como a integração entre ensino, pesquisa, extensão e inovação gera conhecimento de impacto social.

De acordo com o reitor, Roberto Medronho, a participação da Universidade no evento cumpre um duplo papel: “Em primeiro lugar, fazer uma prestação de contas à sociedade, já que somos uma universidade pública, gerida com verbas da sociedade. Em segundo, interagir com as empresas, porque muitas dessas ideias podem gerar novos produtos para o desenvolvimento do nosso país”.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, ao lado do totem de algas do LBBAlgas, atividade fixa na programação do estande | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

A programação do estande da UFRJ é resultado de uma curadoria feita ao longo de um ano pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (Inova UFRJ) e a Pró-Reitoria de Extensão (PR-5). À frente do Inova, a diretora Daniela Uziel revelou que a seleção dos projetos se deu a partir de um amplo processo de mapeamento das tecnologias desenvolvidas na Universidade e de um chamamento para pesquisadores interessados em apresentar seus trabalhos. “A gente tenta colocar o máximo possível de pessoas aqui dentro”, afirmou.

Mas o objetivo, além de reunir projetos, foi aproximar inovação e impacto social. “A gente pensa em tecnologia e inovação, mas nunca desconsiderando as pessoas. Se estamos pensando em inteligência artificial, estamos pensando em inteligência artificial para as pessoas”, destacou a superintendente de Integração e Articulação da Extensão, Bárbara Tavela. Segundo ela, o maior desafio foi contemplar a diversidade de projetos desenvolvidos na Universidade. “O nosso maior desafio sempre é fazer com que a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a maior do Brasil, caiba num estande.”

Programação é resultado de uma extensa curadoria feita pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (Inova) e a Pró-Reitoria de Extensão (PR-5). Na imagem, a diretora do Inova, Daniela Uziel, e a superintendente da PR-5, Bárbara Tavela | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

O resultado foi uma programação organizada por quatro eixos temáticos: “Acessibilidade e inclusão, sustentabilidade, energia e robótica” (4/8); “Tecnologias para educação e informação e tecnologia forense” (5/8); “Saúde e bem-estar, incubadoras e startups” (6/8); e “Artes e meio ambiente, empreendedorismo, inovação e cidadania” (7/8). Todos eles buscam a ampliação do diálogo com a população. “A UFRJ tem que ser uma torre de luz. Ela não pode estar encastelada. Quando trazemos esse conhecimento para um lugar como esse, ele se torna acessível a todos”, afirmou Uziel. 

A partir do feedback dos visitantes, a Universidade ainda valida as tecnologias desenvolvidas. “Isso aqui acaba sendo uma forma de teste”, afirmou a diretora do Inova, ao citar iniciativas que utilizam o evento para avaliar o interesse do público e identificar oportunidades de transformação das pesquisas em produtos e serviços.

Para Medronho, o sucesso do estande também demonstra o interesse do público pela produção científica da Universidade. “O nosso estande é um dos mais visitados. As pessoas ficam maravilhadas com as tecnologias e inovações que apresentamos.” Para o reitor, a exposição representa apenas uma pequena amostra da produção institucional. “Foi mostrado aqui um milésimo do que a gente faz na UFRJ”, disse, orgulhoso.

Robótica para inclusão

Entre os destaques da programação, está a mão robótica humanoide desenvolvida pelo pesquisador Joel Ramos durante seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGI/UFRJ). 

A tecnologia utiliza visão computacional para reconhecer, em tempo real, movimentos da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e reproduzi-los por meio de um braço robótico. “A minha visão é que a robótica humanoide pode e deve ser usada para o bem”, afirmou. “A ideia é que as crianças aprendam de forma divertida, interagindo com o robô e tendo as sílabas de Libras como uma segunda língua na prática.”

Segundo o pesquisador, o sistema foi desenvolvido para ser de baixo custo e poderá ser utilizado em escolas, espaços públicos e outras aplicações voltadas à acessibilidade.

A robótica também está representada na programação pela premiada equipe MinervaBots, formada por estudantes da UFRJ. No estande, o grupo apresenta robôs de combate, seguidores de linha e sistemas autônomos de navegação.

A equipe de robótica MinervaBots apresenta robôs de combate, seguidores de linha e sistemas autônomos de navegação | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Segundo o aluno do curso de Engenharia Mecânica Giovanni Oliveira, cada projeto é desenvolvido para atender aos desafios de uma modalidade específica de competição, mas incorpora tecnologias com aplicações no mercado. “Os robôs autônomos que a gente desenvolve utilizam princípios parecidos com os de equipamentos usados em hospitais, centros de distribuição e empresas de logística”, explicou. 

A interação entre humanos e máquinas também ganha destaque com o Zequinha, robô desenvolvido por Saulo Dansa, pesquisador convidado da Coppe/UFRJ. Com uso de inteligência artificial, o projeto permite que o robô responda a perguntas, interaja por meio de voz, gestos e movimentos do olhar, criando uma comunicação mais próxima com os visitantes. 

Tecnologias que nascem das algas

Chama a atenção do público que circula pela RIW o TEKAlga, um totem que funciona como um grande purificador de ar urbano, capaz de capturar dióxido de carbono e liberar oxigênio – além de ter a funcionalidade de servir como carregador de aparelhos eletrônicos. “Um tanque de 100 litros de algas equivale a cerca de dez árvores na captura de CO₂ e produção de oxigênio”, explicou a coordenadora do Laboratório de Bioquímica e Biotecnologia de Algas (LBBAlgas), Anita Valle. O totem também é uma atividade fixa do estande da UFRJ.

Outras das tecnologias apresentadas pelos pesquisadores do laboratório são suplementos para saúde animal, corantes naturais destinados à indústria de alimentos e cosméticos. “Uma empresa chega para a gente e pergunta: ‘Você consegue resolver esse problema com alga?”. Na maioria das vezes, a gente consegue”, contou a pesquisadora Bruna Lemos.

Pesquisadoras do Laboratório de Bioquímica e Biotecnologia de Algas (LBBAlgas) apresentam ao público suplementos para saúde animal, corantes naturais destinados à indústria de alimentos e cosméticos feitos com algas | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

A diversidade de aplicações das algas surpreendeu a visitante Elaine Ferreira. “Foi muito interessante descobrir quantas funcionalidades elas têm. É praticamente um superalimento”, comentou.

Experiências imersivas

Uma mostra de filmes produzidos em realidade virtual, organizada pela Escola de Comunicação (ECO/UFRJ), também está atraindo os visitantes.

Segundo a estudante de Jornalismo Elisa Rios, o projeto Metaversidade busca democratizar o acesso à tecnologia. “A gente faz filmes em realidade virtual e também visa tornar essa tecnologia acessível para as periferias.”

Entre os destaques da mostra, está o primeiro filme em realidade virtual produzido pelo Coletivo Mídia Indígena, em parceria com o projeto da UFRJ. Xizexak Hametéhar: Uma Jornada Entre Mundos convida o público a uma experiência imersiva e lírica guiada pela perspectiva de um pajé no Território Indígena de Arariboia, no Maranhão. 

“Você deixa de apenas assistir e passa a participar. Estar dentro de uma aldeia indígena dá uma perspectiva totalmente diferente. É uma inovação que muda o jeito como fazemos comunicação”, observou Elisa.

Projeto Metaversidade: visitante assiste à filme feito com realidade virtual | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

O jornalista e cineasta Hugo Soares experimentou pela primeira vez um filme em realidade virtual e destacou o potencial da linguagem. “Foi uma experiência muito inovadora. A gente consegue imergir em mundos possíveis por meio da sensorialidade.” Para ele, o maior mérito da iniciativa é utilizar a tecnologia para ampliar debates sobre os povos originários.

Engenharia para ambientes industriais

Outra tecnologia apresentada é o simulador de guindaste desenvolvido pelo Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce/Coppe-UFRJ). A pesquisadora Letícia Reis explicou que o equipamento reproduz operações reais para treinamento de operadores.

“O sistema simula diferentes condições climáticas, falhas e gera relatórios completos de desempenho”, afirmou.

A pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce/Coppe-UFRJ) faz demonstração no simulador de guindaste, atividade fixa no estande da Universidade | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Desenvolvido integralmente na Coppe, o simulador representa uma alternativa nacional a equipamentos importados de alto custo. “Tecnologias semelhantes custam milhões no exterior. Como produzimos aqui, conseguimos oferecer uma solução muito mais acessível para o mercado brasileiro.”

Confira a programação diária do estande da UFRJ na RIW nos canais da PR-5.