A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) marca presença de destaque na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), sediada no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), entre os dias 26/7 a 1/8, em Niterói. Ocupando um espaço central na ExpoT&C, o estande da instituição é fruto da articulação conjunta de saberes entre as pró-reitorias de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) e de Extensão (PR-5), o Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e a Inovateca.
“O estande é uma pequena parte de um trabalho muito grande que envolve a excelência do nosso corpo social, estudantes, docentes e técnicos-administrativos em Educação. O ecossistema educacional, de pesquisa e de extensão da UFRJ faz com que nós formemos cidadãos, antes de tudo, não apenas profissionais, mas cidadãos éticos, comprometidos socialmente e, obviamente, tecnicamente competentes”, destaca o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

Minerva: um ecossistema de divulgação e diálogo científico
O estande funciona como uma vitrine da pluralidade acadêmica da UFRJ. Entre os destaques está a Revista Minerva, que transcende o formato físico para se consolidar como ecossistema de divulgação científica. Durante o evento, a UFRJ celebra o amadurecimento desse projeto com o lançamento de sua mais nova versão impressa.

“Estamos lançando aqui na SBPC a quarta edição da revista física. É um projeto recente, iniciado em novembro do ano passado, mas que está crescendo, com o objetivo de disseminar a ciência e as pesquisas da UFRJ”, destaca o editor-chefe da publicação, Paulo Rossi. A estratégia de comunicação inclui ainda o projeto Minervinha, voltado para o público infantojuvenil, e uma cobertura em tempo real nas redes sociais que busca aproximar as futuras gerações da soberania científica nacional.
Projetos de alta performance e protagonismo tecnológico
A presença da UFRJ na ExpoT&C é marcada pela robustez de projetos de alta performance. A equipe Minerva Aeroespacial (Minerva Rockets e Sats) apresenta o foguete Hemera, projeto desenvolvido em apenas seis meses, simbolizando a persistência da comunidade acadêmica. Para Beatriz Perecmanis, estudante de Engenharia Mecânica da instituição, a exposição do protótipo no evento é, acima de tudo, um símbolo de resiliência.
“Poder ter o projeto em um evento deste porte, mostrando ele para todo mundo depois de voltar de uma competição, é uma coisa que eu acho que, se nos contassem que isso estaria acontecendo um ano atrás, nós não acreditaríamos. Somos uma equipe de pesquisas aeroespaciais que busca desenvolver toda a tecnologia dos projetos, para compreender toda essa área e as relacionadas a materiais, dinâmica, a eletrônica, e tudo que envolve a engenharia”, explica Beatriz.




O projeto Minerva Baja também está presente na ExpoT&C. Os participantes exibem um veículo elétrico off-road alimentado por uma pilha de combustível a hidrogênio, o que aponta para soluções energéticas limpas. Já a equipe Nautilus expõe seus drones e submarinos desenvolvidos inteiramente pelos estudantes, utilizando componentes criados em impressão 3D. O Minerva Aerodesign foca no desenvolvimento de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vant) para a competições, tendo como desafio a maximização da eficiência estrutural das aeronaves. O objetivo central reside em otimizar a relação entre a carga paga transportada e o peso vazio do protótipo, assim buscando o melhor desempenho em voo.
Inovação imersiva, arte e compromisso social
Na área de mídias criativas, a mostra VR Metaversidade, do programa de pós-graduação da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, oferece ao público experiências imersivas em realidade virtual que resgatam a memória de cinemas históricos, possibilitando, ainda, uma visita à Casa Rui Barbosa em pleno século XIX, entre outros projetos. Segundo o bolsista Valentim Schuman, estudante de Comunicação Social – Radialismo na Universidade, a reunião da SBPC é uma oportunidade indispensável para que os estudantes possam desenvolver a ciência no Brasil de forma acessível.
“Esse é o maior evento científico da América Latina e, para nós, bolsistas, está sendo muito interessante participar. O nosso projeto está tendo adesão muito grande. É algo muito valioso que a UFRJ oferece para nós, estudantes”, afirma Valentim.


A integração entre inovação tecnológica e compromisso social aparece em iniciativas voltadas para a educação e a democratização do conhecimento. O projeto de extensão EDS Maker leva a tecnologia da impressão 3D a escolas públicas e ONGs, focando na reciclagem de garrafas PET para a criação de filamentos e jogos cognitivos.
O Núcleo de Arte e Novos Organismos da Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ apresenta a obra híbrida Breathing, trabalho do professor e artista Guto Nóbrega, que funde robótica a seres vivos. “É uma forma de poder interagir com essa parte mecânica e gerar reações a partir de uma conexão totalmente diferente do que seria se você apertasse um botão. Não é uma interação humano–máquina dura. Você perde um pouco a noção de onde começa o vivo e onde termina a parte artificial”, destaca Fernanda Xavier, pesquisadora do laboratório.
Tradição, memória e a ciência em diálogo com o futuro
O espaço conta também com mostras que unem a tradição histórica à alta tecnologia, com exposições que abrangem desde a fauna taxidermizada do Espaço Ciência Nupem, que aproxima o público da biodiversidade da Mata Atlântica, até manifestações da Companhia Folclórica do Rio/UFRJ. A imersão promovida pelo Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (MN) da UFRJ permite ao público explorar sítios arqueológicos egípcios e réplicas de acervos artísticos. A inovação também é apresentada por meio de tecnologias de modelagem digital e robótica, promovidas pelo Laboratório Aberto de Inovação e Design (Laid/EBA), que detalha as reproduções de esculturas de Celita Vaccani (Museu Dom João VI) por escaneamento e impressão 3D, além de luminárias desenvolvidas com modelagem paramétrica.
A programação é complementada por pitches e palestras que abordam temas urgentes, desde a sustentabilidade e educação regenerativa a soluções para compras inovadoras no serviço público. Além de ocupar a ExpoT&C, a Universidade ocupa espaços no SBPC Jovem, com funcionamento das 9 às 17h. A iniciativa tem como objetivo aproximar crianças e jovens do conhecimento científico e estimular o interesse pela ciência, tecnologia e inovação.

Pitches e palestras que abordam temas urgentes durante toda a programação | Foto: Aní Coutinho (SGCOM/UFRJ).
Mesas-redondas, conferências e atividades culturais têm a presença de representantes da comunidade acadêmica da UFRJ. Entre os variados temas discutidos na SBPC 2026 estão: inteligência artificial, saúde coletiva, mudanças climáticas, ciência e tecnologia, democracia, comunicação e políticas públicas. “É importante ressaltar que nossos professores e técnicos, muitos deles, foram convidados para ministrar cursos e palestras, abordando assuntos muito urgentes neste momento”, lembra a professora da UFRJ e coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta.
O cronograma completo da 78ª Reunião Anual da SBPC e a lista dos pesquisadores participantes podem ser consultados aqui.









