Literatura, ciência e cultura se encontram na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada de 22 a 26/7, em Paraty, no Rio de Janeiro. E a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) participa do festival com iniciativas que aproximam pesquisa científica, extensão universitária e sociedade, reunindo docentes, pesquisadores e projetos em debates sobre memória, territórios, tecnologias digitais, meio ambiente e manifestações culturais. A Editora UFRJ também integra a agenda do evento, ampliando a divulgação de obras acadêmicas, científicas e culturais, fortalecendo o diálogo entre conhecimento e seus diferentes públicos.
Criada em 2003, a Flip consolidou-se como um dos principais festivais literários da América Latina, reunindo escritores brasileiros e estrangeiros, pesquisadores, artistas e leitores em torno da literatura e de temas que permeiam a sociedade contemporânea. Ao longo de mais de duas décadas, o festival ampliou o seu papel como espaço de circulação de ideias, promovendo discussões sobre identidade, diversidade, democracia, memória, sustentabilidade e transformações culturais.
Mais do que celebrar livros e autores, a Flip tornou-se um espaço de encontro entre diferentes formas de conhecimento. Ao ocupar o centro histórico de Paraty e reunir múltiplas vozes, o festival amplia o acesso à produção cultural e fortalece o diálogo entre literatura, ciência, educação e sociedade.
A pró-reitora de Extensão (PR-5), Ivana Bentes, salienta que a participação da UFRJ na Flip 2026, na Casa da Favela, reforça o compromisso da Universidade com a extensão, a cultura e os territórios. “Vamos apresentar algumas das ações de extensão desenvolvidas pela UFRJ na Casa da Favela, um importante espaço cultural voltado à literatura marginal e periférica. Também contaremos com a presença da Editora UFRJ, que levará parte de seu catálogo para um dos principais eventos literários do país”, ressalta a pró-reitora.
UFRJ na Flip
A participação da UFRJ evidencia a diversidade da produção acadêmica desenvolvida na instituição e demonstra como pesquisa, ensino e extensão ultrapassam os limites do ambiente universitário. Por meio de mesas, entrevistas e rodas de conversa, docentes e pesquisadores compartilham reflexões sobre temas contemporâneos, valorizando saberes locais, experiências coletivas e diferentes formas de criação.
Abrindo a programação da Universidade, a mesa “Territórios afetivos e comunitarismo digital” será realizada no dia 23/7, às 14h, na Casa da Favela. A atividade propõe uma reflexão sobre como as tecnologias digitais e as expressões culturais contribuem para a construção de novas formas de pertencimento, identidade e inclusão social. Com a participação de Ivana Bentes, professora titular da UFRJ e pró-reitora de Extensão (PR-5), o debate abordará as conexões entre territórios físicos e virtuais, explorando linguagens, práticas comunitárias e processos colaborativos de criação.
“Vamos discutir como as comunidades têm fortalecido seus laços sociais e culturais por meio das tecnologias e das redes, construindo novas formas de organização que articulam o território físico e o ambiente digital”, explica Ivana Bentes.
Outro destaque do evento é a programação “Ações territoriais na Extensão UFRJ e biomas culturais”, marcada para 26/7, às 11h, também na Casa da Favela. Conduzida pela equipe do Laboratório de Inovação Cidadã (Labic UFRJ) e pela Pró-Reitoria de Extensão (PR-5), a apresentação reúne experiências da Universidade voltadas às relações entre território, meio ambiente, cultura e produção de saberes, mostrando como a extensão universitária contribui para a construção coletiva do conhecimento em parceria com diferentes comunidades.
A programação inclui, ainda, a presença do professor emérito da UFRJ Muniz Sodré, referência nos estudos de Comunicação e Cultura no Brasil. Na conversa “Angu de Grilo entrevista Muniz Sodré”, o pesquisador aborda temas ligados à comunicação, à cultura brasileira e aos desafios da sociedade contemporânea.

A memória e o patrimônio também integram a agenda da Universidade com a proposta “Remexendo as memórias de Paraty”, que homenageia o historiador e paleógrafo Fernando Palla em uma conversa sobre a história da cidade e do Memorial do Paço. A mesa contará com Mônica Lima, historiadora, professora da UFRJ, diretora-geral do Arquivo Nacional e presidente do Instituto Ciência Hoje.
Saberes, memória e cultura: Conceição Evaristo, ex-aluna e doutora honoris causa da UFRJ, é destaque na Flip
A literatura negra e as narrativas de ancestralidade ganham protagonismo na programação da Flip com a atividade “Escreviventes”, realizada na sexta-feira, 24/7, às 11h, na Caixa de Histórias. O encontro reúne as escritoras Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz para um diálogo sobre escrita, memória e as relações entre literatura e experiência social.
Graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1990, Conceição Evaristo consolidou-se como uma das principais referências da literatura brasileira contemporânea. Em 2026, a escritora e linguista recebeu o título de doutora honoris causa da UFRJ, concedido por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consuni) após indicação de estudantes e docentes da Faculdade de Letras.

Reconhecida nacional e internacionalmente, a autora amplia os horizontes da literatura brasileira ao construir novas perspectivas narrativas e valorizar saberes, memórias e experiências que fazem parte da formação social do país. Sua obra destaca o papel da literatura como instrumento de preservação da memória coletiva, fortalecimento de identidades e produção de conhecimento sobre diferentes realidades sociais.
Criadora do conceito de “escrevivência”, que articula escrita, vivência e ancestralidade, Conceição Evaristo transforma experiências individuais e coletivas em narrativas que evidenciam trajetórias de mulheres negras, populações periféricas e grupos historicamente marginalizados. Sua produção, composta por romances, contos e poemas, articula literatura, história e identidade, contribuindo para reflexões sobre as relações entre gênero, raça e classe na sociedade brasileira.
Universidade pública em diálogo com a sociedade
A presença da UFRJ na Flip amplia a circulação das pesquisas e iniciativas desenvolvidas pela instituição, aproximando cientistas, projetos de extensão e diferentes públicos em torno de discussões sobre literatura, cultura e ciência. Ao integrar um dos principais festivais literários do país, a Universidade leva para além dos espaços acadêmicos reflexões sobre temas centrais da realidade nacional.
“A presença da UFRJ na Flip é a prova viva de que a universidade pública existe para estar onde a vida, a literatura e a cultura acontecem. Estar em Paraty é exercer o papel mais nobre da extensão universitária: conectar a excelência da nossa pesquisa e da nossa editora aos debates contemporâneos, às vozes territoriais e às narrativas periféricas. É promover a bibliodiversidade e o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes populares. A Flip é um dos encontros mais potentes da cultura no Brasil, e a participação da UFRJ nesse espaço é fundamental porque aproxima o que é produzido na academia do coração da sociedade”, enfatiza a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci.
A relação da UFRJ com a literatura integra uma trajetória dedicada aos estudos da linguagem, das artes e da cultura. Por meio da Faculdade de Letras, de núcleos de pesquisa, projetos de extensão, acervos, grupos de leitura e ações voltadas à formação de leitores, a Universidade contribui para a preservação da memória literária e para o reconhecimento da pluralidade das narrativas brasileiras.
Esse compromisso também se expressa na atuação da Editora UFRJ, responsável pela publicação e difusão de obras acadêmicas, científicas e culturais. Ao transformar estudos e pesquisas em livros, a editora promove o acesso ao saber produzido na Universidade e estimula o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Além disso, a editora mantém um catálogo de livros digitais disponíveis gratuitamente em seu site oficial, fortalecendo a democratização do acesso à produção acadêmica e científica.
“Levar a UFRJ para Paraty é mostrar na prática que a educação e a cultura caminham juntas como ferramentas de transformação social. É o orgulho de ver a universidade pública e gratuita cumprindo seu papel, fomentando a leitura, a inovação e o direito à arte para todos. Um agradecimento especial deve ser dirigido aos servidores da Editora UFRJ, porque mesmo com todas as limitações de infraestrutura realizam um trabalho de excelência e digno da nossa Minerva”, destaca a vice-reitora.
Mais do que uma manifestação artística, a literatura constitui um campo de reflexão sobre identidade, memória, diversidade, história e transformações sociais. Ao participar da Flip, a UFRJ aproxima sua produção intelectual de escritores, leitores e públicos interessados nas múltiplas narrativas que ajudam a compreender o Brasil.
Confira a programação completa e acompanhe as atividades no site oficial da Flip.
