Uma viagem pelas principais eras da evolução do planeta, uma imersão em realidade virtual pelos sítios arqueológicos da Serra da Capivara (PI) e de Monte Alegre (PA), desafios matemáticos em grandes dimensões e um percurso “analógico-digital” pelos patrimônios da cultura alimentar brasileira. Essas foram algumas das experiências proporcionadas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aos milhares de visitantes da SBPC Jovem 2026, realizada durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói.
No estande coordenado pelo Fórum de Ciência e Cultura (FCC), estudantes da educação básica, professores e famílias puderam embarcar no Elevador do Tempo Profundo, instalação científico-interativa desenvolvida pelos alunos do Instituto de Geociências (Igeo/UFRJ); explorar os registros deixados pelos primeiros povos do continente americano por meio da exposição imersiva Arte rupestre e realidade virtual: da pré-história à pós-modernidade; testar o raciocínio lógico em jogos matemáticos gigantes; e percorrer o mapa interativo do projeto de extensão Comida é Patrimônio, que apresenta a diversidade da cultura alimentar brasileira a partir dos territórios, dos saberes tradicionais e da agricultura familiar.
A programação reuniu também oficinas, experimentos científicos, apresentações e exposições interativas sobre astronomia, biologia, letras, astronomia e física, além de ações culturais que evidenciaram a integração entre o ensino, a pesquisa e a extensão.
Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, iniciativas como a SBPC Jovem aproximam os estudantes do ensino médio da Universidade e despertam o interesse pelo ensino superior. Segundo ele, “o aluno do ensino médio no Rio de Janeiro tem o sonho de estudar na UFRJ”, percepção reforçada pelas ações de aproximação desenvolvidas pela instituição, como o Conhecendo a UFRJ. “Vão mais de 6 mil alunos do ensino médio, e eles ficam maravilhados com os cursos de graduação que nós temos”, afirmou. Medronho lembrou ainda que a Universidade oferece 173 cursos de graduação, abrangendo todas as áreas do conhecimento.

Já a vice-reitora Cássia Turci destacou que a participação da UFRJ conseguiu evidenciar a diversidade e a integração entre os diferentes campos do saber. “Mostramos um pouco da riqueza que nós temos na nossa universidade, em todas as áreas do conhecimento”, afirmou. Para ela, o grande diferencial da instituição está justamente na articulação entre ensino, pesquisa, extensão, inovação, artes e cultura. “A palavra do futuro é integração”, resumiu. Turci também ressaltou que a presença de crianças e jovens no evento contribuiu para despertar o interesse pela ciência e fortalecer o sentimento de pertencimento à universidade pública.
A estudante Rafaela Lopes, do 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual Júlia Kubitschek, aprovou a experiência. Para ela, as atividades tornaram o aprendizado mais interessante por aliarem conhecimento e diversão. “Além de você se divertir, você pode aprender também”, afirmou. Segundo a estudante, a visita apresentou conteúdos que ela desconhecia e mostrou uma forma diferente de aprender ciência.
Ciência para ver, tocar e experimentar
Entre as atrações mais concorridas do estande da UFRJ na SBPC Jovem estava o Elevador do Tempo Profundo, criado especialmente para o evento pelos alunos do curso de extensão em Ensino de Geologia e Paleontologia do Instituto de Geociências (Igeo/UFRJ), reunindo saberes de Geologia, Geografia, Ciência da Computação, Letras e Expressão Gráfica. Inspirado em um elevador geológico de um museu do Ceará, a instalação conduziu os visitantes por bilhões de anos da história do planeta Terra, por meio de uma simulação de descida entre as camadas das grandes eras geológicas.
Um dos responsáveis pelo projeto, o estudante de Ciência da Computação Thiago Blandi, explicou que toda a identidade visual e o conteúdo da instalação foram desenvolvidos pela equipe da UFRJ. “Todo o material é original”, destacou. Segundo ele, o objetivo foi aproximar o público da geologia e da paleontologia de forma acessível. “Estamos tentando trazer um pouco da paleontologia para o cotidiano das pessoas e contar a história da Terra por meio de uma experiência lúdica e interativa”.


A matemática também ganhou espaço com jogos gigantes e materiais manipuláveis desenvolvidos pelo Laboratório de Instrumentação para o Ensino de Matemática, do Instituto de Matemática da UFRJ. A professora Nedir Espírito-Santo explicou que os recursos didáticos ajudam a tornar conceitos abstratos mais concretos para estudantes de diferentes idades. “A gente procura tornar a matemática mais fácil através da utilização de materiais manipuláveis”, afirmou. Para ela, desafios como a Torre de Hanói e o jogo da velha em três dimensões estimulam a curiosidade e favorecem a aprendizagem. “É importante quando você consegue ajudar na transposição do concreto para o abstrato.”

Outra experiência bastante procurada foi a exposição do projeto de extensão Comida é Patrimônio, desenvolvido pelo Instituto de Alimentação e Nutrição da UFRJ Macaé e pelo Instituto Nutes, em parceria com o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN). A mostra reuniu mapas, fotografias, podcasts, relatos e objetos que apresentam a diversidade alimentar brasileira e valorizam os conhecimentos de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais.


Uma das coordenadoras do projeto, a professora Vanessa Schottz explicou que a exposição propôs “uma viagem analógico-digital”, combinando recursos físicos e digitais para aproximar o público dos patrimônios alimentares do país. Segundo ela, a iniciativa busca fortalecer “o protagonismo da agricultura familiar agroecológica, de povos e comunidades tradicionais, sobretudo mulheres”. Entre os destaques do estande, o mapa interativo e o bolo de aipim preparado pela agricultora Darcy despertaram a curiosidade dos visitantes e abriram espaço para discutir sociobiodiversidade, cultura alimentar e soberania alimentar.

Já na exposição imersiva Arte rupestre e realidade virtual: da pré-história à pós-modernidade, com o auxílio de óculos de realidade virtual, os visitantes puderam conhecer os sítios arqueológicos da Serra da Capivara, no Piauí, e de Monte Alegre, no Pará, contemplando pinturas rupestres e aprendendo sobre os primeiros povos que habitaram o continente americano. A experiência combinou arqueologia, tecnologia e divulgação científica para aproximar o público desse patrimônio histórico e cultural.

Programação construída de forma coletiva
A diversidade de atrações foi resultado de um trabalho colaborativo coordenado pelo Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ.
Segundo a coordenadora do FCC, Christine Ruta, a programação foi construída a partir da participação de museus, laboratórios e projetos de diferentes unidades acadêmicas. “A gente tentou dialogar primeiramente com todos os museus da UFRJ”, explicou. O resultado foi uma programação que integrou ciência, arte e cultura e mostrou aos visitantes a amplitude das atividades desenvolvidas pela Universidade. Para Christine, o principal legado da participação na SBPC Jovem é permitir que estudantes da educação básica se reconheçam como futuros universitários. “Eles conseguem enxergar que amanhã podem estar ocupando um espaço que hoje é ocupado por esses alunos de graduação, por esses professores e por esses técnicos administrativos”, afirmou.
O superintendente de Divulgação Científica do FCC, Paulo Paiva, explicou que a programação foi planejada especificamente para o perfil do público da SBPC Jovem. “A proposta é evidenciar que ciência e cultura são dimensões indissociáveis”, disse. Segundo ele, as atividades foram pensadas para serem atrativas, acessíveis e interativas, reunindo desde experimentos científicos até ações culturais. Para Paiva, estar presente no maior encontro científico da América Latina fortalece a relação entre universidade e sociedade. “É fundamental que a UFRJ esteja presente no maior encontro científico da América Latina”, destacou. “As crianças e os jovens conhecem mais de perto o que é a universidade, compreendem a importância do conhecimento que ela produz e percebem o quanto pode ser enriquecedor estudar em uma instituição pública, gratuita e de qualidade.”
