Bancos vermelhos localizados em pontos estratégicos dos campi da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com frases como “Você não está sozinha. Sentar e refletir. Levantar e agir ”: a cena descrita, que fará parte da paisagem institucional a partir de segunda-feira, 9/3, marca a adesão da Minerva à ação simbólica e educativa que integra a mobilização nacional das universidades federais no combate à violência contra a mulher. O Brasil é o quinto país do mundo que mais mata mulheres: a cada seis horas há um feminicídio. A iniciativa, coordenada pelo Instituto Banco Vermelho (IBV), foi deliberada em janeiro, durante reunião do Conselho Pleno de Reitores e Reitoras da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
O projeto está relacionado à Lei Federal nº 14.942, de 2024, que instituiu o Banco Vermelho como uma política pública de prevenção à violência contra a mulher. No âmbito da UFRJ, a ação será oficializada por meio da cerimônia de instalação dos respectivos bancos, na segunda-feira, 9/3, em locais de ampla circulação e visibilidade: às 11h30, na Arena do Centro de Convivência, localizada no Bloco L do Centro de Ciências da Saúde (CCS); às 12h15, no hall do Bloco A do Centro de Tecnologia (CT) e do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN); às 13h, no corredor principal da Faculdade de Letras, situado no Centro de Letras e Artes (CLA); às 15h, entre a Escola de Serviço Social e o Instituto de Psicologia, no Campus Praia Vermelha.
Na ocasião, também haverá um cortejo performático com música, dança e poesia, idealizado e realizado por professoras da Escola de Educação Física e Dança (EEFD) da UFRJ, pela ouvidora da mulher, Angela Brêtas, e pela ouvidora-geral, Katya Gualter.
“A intenção é chamar a atenção, de forma mais ampla e impactante, sobre o feminicídio, a violência de gênero e todas as demais formas de violência contra a mulher. A cor vermelha do banco faz menção ao sangue das mulheres, derramado cotidianamente, e também traz um alerta pela vida, pois as mulheres não podem continuar sendo mortas por serem mulheres. Não podemos naturalizar pequenos gestos violentos e de desrespeito. Os homens precisam ser aliados nesta luta. A ideia da iniciativa é conscientizar, educar, criar marcos de memória, além de divulgar os canais de denúncia. Trata-se de uma forma preventiva e pedagógica de promover reflexão acerca das relações que estamos vivendo neste sistema marcado pelo patriarcado, pela misoginia e pelo sexismo”, explica Brêtas, que, juntamente com Gualter, ficou responsável por dar andamento à inauguração dos bancos na UFRJ.

Na terça-feira, 10/3, a mobilização pela vida das mulheres continua com a inauguração de mais dois bancos vermelhos na Universidade: às 12h, no Centro Multidisciplinar, e às 16h, no Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), ambos em Macaé. A iniciativa ainda prevê instalações no campus Duque de Caxias e no polo Casa da Pedra, localizado no Cariri, Ceará, com datas a serem definidas ainda no mês de março. A vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, destaca o significado da participação da Minerva nesta ação emblemática:
“A adesão da UFRJ à Campanha do Banco Vermelho reafirma o compromisso inegociável da instituição com a defesa da vida e a erradicação de todas as formas de violência contra a mulher. Ao instalar esse símbolo em nossos campi, provocamos uma reflexão cotidiana e necessária sobre o enfrentamento do feminicídio e a construção de uma cultura de paz. Como centro de formação e debate, a Universidade tem o dever de ser um farol na conscientização e no acolhimento, transformando a memória e a indignação em ações concretas de prevenção, educação e justiça. Participar desta iniciativa é dizer, em uníssono com a comunidade acadêmica, que o silêncio não é uma opção diante da violência”.

No combate ao silêncio a que se refere Turci, a Ouvidoria da Mulher da UFRJ oferta meios de atendimento e denúncia às mulheres da comunidade universitária que sejam atingidas pelos diversos tipos de violência ou assédio: pela Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação (Fala.BR); pelo e-mail secouvidoria@reitoria.ufrj.br; pelo telefone (21 99782-4462) e pelo Instagram (@ouvidoriaufrj). A população em geral também pode recorrer à Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180, serviço de utilidade pública do Governo Federal que registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes.
