O Observatório do Valongo lançou uma publicação on-line para orientação dos amantes da astronomia e apreciadores dos céus brasileiros, tanto à noite quanto de dia: o Efemérides Astronômicas 2026. Eclipses, chuvas de meteoros, superluas, cometas, conjunções planetárias e outros fenômenos estão na edição, que traz várias dicas e outras informações interessantes sobre a própria unidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que completa 145 anos de existência este ano.
De acordo com o professor e astrônomo Daniel Mello, os projetos e eventos de extensão que promovem a astronomia junto à sociedade fazem parte desta edição, que completa quase uma década e faz parte do projeto de extensão Astronomia Através da Janela (AAJ). Ele surgiu especificamente no contexto da pandemia da covid-19, em abril de 2020, graças ao maior interesse da população sobre os fenômenos celestes enquanto estava confinada. Hoje, o projeto tem adeptos em todo o Brasil, que contribuem com o envio de imagens à equipe do AAJ.
“A gente sempre procura inovar a cada publicação nova, desde a primeira, há quase uma década. Mas o carro-chefe da publicação são as imagens de astrofotógrafos e colaboradores de todo o Brasil. A capa, por exemplo, surgiu de uma eleição nas mídias sociais que indicou a melhor imagem entre diversas enviadas”, disse o professor, acrescentando que ela é de autoria do paleontólogo e astrofotógrafo Marcelo Fernandes, que fez um registro da Nebulosa da Águia e dos Pilares da Criação.
Nas primeiras seções da publicação, o enfoque é no próprio Observatório do Valongo. A instituição surgiu em julho de 1881, no morro de Santo Antônio, sendo depois transferida para o Morro da Conceição, na zona portuária do Rio de Janeiro. Criado por Manoel Pereira Reis (1837-1922), astrônomo baiano e idealizador do céu estrelado da bandeira do Brasil, o observatório é o segundo mais antigo do país. Todas as quartas-feiras há sessões astronômicas abertas ao público, que ainda pode conhecer o museu e o campus da unidade. “O Valongo é importante para a história da astronomia brasileira e para a origem do curso de graduação em Astronomia”, destacou Mello.
O Efemérides Astronômicas 2026 também convida a uma reflexão sobre o lixo espacial em órbita da Terra, que a cada dia se torna um problema maior, comprometendo serviços dos quais dependemos todos os dias, como GPS, comunicação, previsão do tempo e monitoramento ambiental. A publicação esclarece as regras para a “ocupação” ao redor do planeta e o que acontece com os satélites artificiais depois que eles perdem utilidade.
Os eventos astronômicos estão organizados por cada um dos meses do ano e contam com mapas do céu, que mostram os pontos cardeais para correta localização dos astros e o modo mais adequado para observação, seja através da visualização a olho nu, por meio de binóculos ou telescópios. Embora os mapas tenham sido gerados para observação na cidade do Rio de Janeiro, eles podem ser utilizados para outras cidades brasileiras, com algumas adaptações.
“Também enriquecemos a publicação com um destaque de constelações mais visíveis em cada um dos meses. Em janeiro, por exemplo, Júpiter esteve com alto brilho na constelação de Gêmeos. Outro destaque é o alinhamento planetário muito raro que vai acontecer em abril, quando Mercúrio, Marte e Saturno poderão ser vistos, se as condições meteorológicas ajudarem, bem juntinhos”, enfatizou o astrônomo.
A parte final da publicação traz a lista de estrelas mais brilhantes no céu e um glossário de termos astronômicos. Dicas de astrofotografia também estão presentes nas páginas do guia. Para os autores, registrar o que acontece nos céus com câmeras digitais e até celulares é tão fascinante que parece ser um caminho sem volta. “Ele é um guia tão prático que é utilizado nas atividades de observação celeste, que fazem a divulgação da astronomia e ajudam a desenvolver o hobby de uma forma mais democrática que no passado”, finalizou Daniel Mello.
