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UFRJ recebe pedido de diplomação póstuma de estudantes mortos pela ditadura

Reitoria acolhe solicitação feita pela jornalista Hildegard Angel e pelo representante do Centro Acadêmico Stuart Angel

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Medronho, recebeu nesta terça-feira, 3/2, um pedido de diplomação póstuma de estudantes da UFRJ que foram perseguidos e mortos pela ditadura militar (1964-1985). A solicitação foi feita de maneira conjunta pela jornalista Hildegard Angel e por Lucas Duda, representante do Centro Acadêmico Stuart Angel (Casa), do Instituto de Economia (IE) da UFRJ, durante reunião no Gabinete da Reitoria, na Cidade Universitária. 

O nome da associação estudantil é uma homenagem ao irmão da  colunista, que foi aluno do curso antes de ter a trajetória interrompida pelo regime autoritário, que vigorou  por 21 anos no país. A proposta de diplomação, já aprovada pela congregação do Instituto de Economia, segue agora para a Administração Central  a fim de, posteriormente, ser apreciada pelo Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ.  

Outras instituições brasileiras de ensino superior também vêm adotando medidas similares de reparação acadêmica, como, por exemplo, a Universidade de São Paulo (USP), a  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). No caso da UFRJ, o acolhimento do pedido foi expresso pelas palavras de Medronho, que, entre outros reconhecimentos, destacou a relevância simbólica de Stuart Angel para a soberania brasileira:

 “Stuart Angel simboliza uma luta pela democracia, muitas vezes ameaçada, uma luta pela justiça social contra a desigualdade. Ele, que foi arrancado do seio de sua família, torturado e desaparecido político, ofereceu a coisa mais bela que tinha: a sua juventude.  Esperamos que o legado dele inspire essa juventude de estudantes para nunca mais deixar que tenhamos o retrocesso  na nossa democracia”. 

A expectativa do reitor vai ao encontro da perspectiva apresentada pelo representante do Casa: “Hoje temos a missão e a honra de transmitir para a minha geração, para os que estão entrando no IE, o legado desse jovem, que foi meu antecessor, estudou nas mesmas cadeiras e  salas que eu, no Palácio Universitário. A requisição, que fizemos hoje,  é para que a justiça seja feita 50 anos depois, não só para o Stuart, mas para os outros companheiros também. Que seus nomes sigam sendo lembrados nos próximos 50 anos!”, enfatizou Duda. 

Jornalista Hildegard Angel em reunião no Gabinete da Reitoria da UFRJ | Foto: Sônia Toledo

Hildegard Angel, por sua vez, fez questão de reforçar os laços institucionais de Stuart Angel com a UFRJ, que contribuíram para a formação daquele que é relembrado pela irmã como um legítimo herói nacional: “Stuart Angel é um mártir da história brasileira, que deu a vida pelos seus companheiros e pelo seu ideal. É um mártir, que saiu da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde conquistou seus conhecimentos e formou sua consciência ideológica cidadã. Ele é um filho da UFRJ, enjeitado juntamente com seus outros colegas pelo governo e pelo sistema que, na época, os proibiram de se manter estudando”.