O auditório do Bloco F do Centro de Ciências da Saúde (CCS) recebeu, na última sexta-feira (07/05), o secretário executivo da ONG Viva Rio” Rubem César Fernandes. Em sua palestra, intitulada “O Haiti depois do terremoto”, o antropólogo enumerou os esforços de diversos agentes – ONGs, governos, empresários, entre outros – para a reconstrução do Haiti.
O Viva Rio chegou a Porto Príncipe, em fevereiro de 2004, com o objetivo de aplicar estratégias brasileiras a um novo contexto, considerando as semelhanças existentes entre Rio e Haiti: a violência armada em meio urbano e a desigualdade. Decidiu-se, então, revitalizar o centro da cidade – região conhecida como Bel Air – e torná-lo um centro cultural da capital do Haiti, tendo como base o processo que recuperou o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro.
Acordo de Paz
Para que a ação fosse possível, reuniram-se as lideranças comunitárias, da polícia e da missão do exército brasileiro no país buscando um acordo de paz entre as partes. Entre os termos do acordo, foram estipuladas algumas recompensas para a não violência. Se, por exemplo, durante um mês não houvesse homicídios em conflitos, o Viva Rio faria sorteios de bolsas de estudo para crianças e motocicletas para líderes comunitários. Com dois meses, haveria sorteios de bolsas de estudo em cursos profissionalizantes para os adultos.
O Viva Rio, ainda, promoveu festas de rua periódicas, campeonatos de futebol e projetos de capoeira. Além disso, foi implantado um projeto de incentivo ao plantio de árvores, chamado de “Bel Air Verde”, e da coleta de lixo, até então inexistente.
Um dos grandes problemas da metrópole Porto Príncipe era a falta de água potável, o que foi amenizado com o aumento de 40% da oferta entre os anos de 2007 e 2010, conquista obtida através da captação de água da chuva e da revenda a preços mais baixos que o de mercado.
Terremoto: destruição e desespero
O terremoto do dia 12 de janeiro destruiu praticamente todos os prédios da capital, deixando milhares de desabrigados e tornando caótica a estada em Porto Príncipe. “Nos primeiros dias, não existia governo”, relata Rubem César. Não havia escolas, hospitais e até o prédio da ONU veio abaixo, fazendo vítimas fatais em todo o alto escalão das Nações Unidas.
Para o cenário de emergência, a ONG brasileira montou clínicas-tendas para atender os feridos e contou com ajuda vinda de diversos países, como Canadá, Noruega, Estados Unidos e França na reconstrução de escolas e mobilização de campanhas para doação de alimentos, roupas, agasalhos e recursos financeiros.
Reconstrução
“A reconstrução física do país ainda é precária, devido à grande quantidade de escombros nas ruas. Somente as escolas foram erguidas rapidamente, com estruturas de madeira”, informou Rubem Cesar.
Para que outro terremoto não represente o mesmo desastre, “a ideia é reconstruir a cidade e descentralizar o país, valorizando cidades médias do interior”, afirma o antropólogo, que disse, ainda, haver institucionalidade no país. “Há uma eleição presidencial marcada para o fim do ano”, revela.
